Guarapari (ES) – O inverno no Hemistério Sul começa oficialmente às 5h25 deste domingo (21), mas a estação deve exibir um comportamento fora do padrão. A influência do El Niño, fenômeno climático marcado pelo aquecimento das águas da região equatorial do Oceano Pacífico, promete frear a intensidade das baixas temperaturas que tradicionalmente marcam o período no Brasil.
A anomalia, confirmada recentemente pela Agência dos Estados Unidos para Oceanos e Atmosfera (NOAA), ocorre quando a temperatura do mar sobe pelo menos 0,5 grau Celsius acima da média. Estudos meteorológicos indicam que, embora o início do inverno ainda registre frio, o efeito do fenômeno será sentido com maior clareza a partir de agosto. A combinação de períodos de estiagem com ventos vindos do Norte deve elevar os termômetros gradualmente, gerando uma sensação térmica mais amena do que o esperado para a época.
Dinâmica de chuvas e veranicos
O cenário para os próximos meses é heterogêneo. Julho deve apresentar volumes de chuva acima da média entre o Sudeste e o Centro-Oeste. Já no Sul, a umidade se intensifica a partir das áreas do interior. Em agosto, a concentração pluviométrica migra para o extremo norte, a faixa leste do Nordeste e novamente o Sul. Para regiões como Minas Gerais, Goiás e o interior nordestino, o padrão seco típico da estação prevalece.
Apesar da previsão de calor, o frio não desaparece por completo, surgindo apenas em episódios breves e rápidos. Áreas do centro do território nacional também podem enfrentar veranicos — intervalos de seca acompanhados de calor atípico. No entanto, mesmo com a previsão de chuva acima da média no Sul, não há indicadores imediatos de temporais com a mesma escala destrutiva observada nos meses de abril e maio de 2024 no Rio Grande do Sul.
Projeções de longo prazo e impactos energéticos
A atenção dos especialistas se volta para a possibilidade de um Super El Niño, quando o aquecimento do Pacífico supera a marca de 2,5°C. O fenômeno deve persistir até o primeiro semestre de 2027, levando o governo federal a articular uma Sala de Situação Interministerial para monitorar riscos e possíveis desastres.
O sistema elétrico brasileiro, fortemente dependente de hidrelétricas, entra no radar. Se por um lado o El Niño pode favorecer o nível dos reservatórios em 2026, o cenário para o início de 2027 gera cautela. A combinação de ondas de calor elevando o consumo de energia com a irregularidade das chuvas no Norte e Nordeste coloca o país diante de um desafio complexo para a segurança do abastecimento.











