Venda Nova do Imigrante (ES) – A chegada do El Niño colocou o governo federal em alerta máximo. A ordem agora é articular junto a estados e prefeituras uma resposta coordenada para minimizar os danos dos eventos extremos esperados para o segundo semestre. O ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, mantém o diálogo aberto com gestores locais, tentando preencher as lacunas que a própria meteorologia deixa abertas.
A ciência avançou muito, mas a precisão sobre os desdobramentos climáticos ainda é uma fronteira desafiadora. Por essa razão, a estratégia adotada baseia-se na antecipação. O governo mira, principalmente, nas áreas isoladas que ficam vulneráveis assim que a estiagem se estabelece. A logística é o ponto crítico: garantir estoque de combustíveis e suprimentos essenciais antes que o acesso terrestre seja bloqueado, forçando uma dependência exclusiva de transporte aéreo.
Em entrevista concedida nesta quinta-feira, Góes reforçou o papel do Defesa Civil Alerta. O sistema é desenhado para não exigir qualquer cadastro prévio da população, facilitando o alcance das mensagens de risco. O objetivo central é disseminar o conhecimento sobre como reagir a situações de emergência antes que elas aconteçam. O ministro chama isso de cultura do risco — um esforço para que a população não apenas receba o aviso, mas saiba exatamente o que fazer ao ouvir um alerta oficial.
As previsões do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) confirmam que o fenômeno já está consolidado. A expectativa é que ele ganhe tração ao longo dos próximos meses, podendo atingir uma das intensidades mais elevadas registradas desde 1950. A configuração do clima no Brasil deve ser de extremos opostos: enquanto o Sul se prepara para enfrentar um volume de chuvas muito acima da média histórica, o Norte e o Nordeste encaram o risco iminente de uma estiagem prolongada.
A organização do Estado tenta correr contra o tempo. O desafio de gerir um território continental, onde uma região pode sofrer com o excesso de água enquanto a outra padece com a seca, exige uma prontidão que vai além da burocracia. Para o governo, o sucesso dessa operação depende, em última análise, da sintonia entre as autoridades e a compreensão da sociedade sobre a gravidade que os mapas meteorológicos indicam para os meses de verão.













