Brasília (DF) – Líder da oposição no Senado comenta carta de Flávio Bolsonaro e rechaça qualquer intervenção estrangeira no país.
O senador Rogério Marinho admitiu publicamente nesta quarta-feira, no Senado Federal, a inexistência de elementos materiais que sustentem alegações de irregularidades na disputa presidencial. A declaração ocorreu durante entrevista a jornalistas e abordou a repercussão de um manifesto de teor golpista divulgado por Flávio Bolsonaro, que deixou o território nacional após a derrota nas urnas para Luiz Inácio Lula da Silva.
Na primeira versão do documento publicada na rede social X, o candidato derrotado autoproclamava-se o verdadeiro presidente eleito. Menos de uma hora depois, a postagem foi removida e substituída por um texto revisado que utilizava a expressão líder do Brasil. Questionado sobre a manobra digital, Marinho atribuiu a divergência a falhas técnicas na elaboração do material e destacou a relevância política do aliado.
Interpelado diretamente sobre as acusações de fraude eleitoral contidas no manifesto, o senador foi categórico ao afastar a tese. Nem a legenda partidária nem o próprio parlamentar dispõem de registros ou dados capazes de comprovar tais alegações. Para o líder oposicionista, as declarações inflamadas refletem um desabafo pessoal motivado pela decisão de residir no exterior.
A saída do país ocorreu antes que o parlamentar cumprisse a determinação judicial para entregar seus passaportes à Polícia Federal. Ele embarcou em um jato executivo fretado que decolou da Argentina com suporte logístico do governo vizinho. O ex-senador enfrenta múltiplos inquéritos no âmbito judicial, incluindo investigações sobre evasão de divisas, lavagem de dinheiro por meio de plataformas de apostas e suspeitas de irregularidades no financiamento da produção cinematográfica Dark Horse.
Com o encerramento iminente de seu mandato no Legislativo federal, o investigado perderá a prerrogativa de foro especial. Na avaliação de Marinho, a permanência no exterior seria a única alternativa viável para a articulação política do grupo, visto que as condições locais dificultariam a atuação partidária. O dirigente afastou qualquer possibilidade de interferência externa após declarações do presidente norte-americano Donald Trump sobre o caso, enfatizando que a soberania nacional deve prevalecer na condução dos assuntos internos.
O pleito presidencial consolidou a vitória de Lula com 64 milhões de votos no segundo turno, enquanto o representante do PL somou pouco mais de 59 milhões de sufrágios. As críticas expressas na carta também contestavam a extensão de duas horas no horário de votação, determinada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, a pedido das cúpulas do PL e do PT. O Tribunal Superior Eleitoral registrou apenas 34.393 votos adicionais computados nesse intervalo, em um universo de 158,7 milhões de eleitores aptos. A lisura do processo recebeu reconhecimento formal de observadores internacionais, incluindo a Organização dos Estados Americanos.













