Washington, Estados Unidos – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, direcionou críticas severas ao governo brasileiro na última terça-feira (15), apontando o que classificou como falhas no combate às organizações criminosas Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho. A manifestação veio à tona por meio de um documento oficial enviado ao Congresso norte-americano, no qual o chefe da Casa Branca avalia o cenário global das drogas para o ano fiscal de 2027 e identifica as nações relevantes no trânsito e na produção de entorpecentes ilícitos.
Na avaliação do líder norte-americano, enquanto várias administrações do Hemisfério Ocidental adotaram ações enérgicas para conter os cartéis, a gestão brasileira não conseguiu neutralizar os dois grupos criminosos. O texto afirma que as facções transformaram o território nacional em um ponto nevrálgico para a rota global da cocaína, representando uma ameaça crescente à segurança internacional que exigiria medidas urgentes e agressivas de enfrentamento.
A classificação do PCC e do CV como Organizações Terroristas Estrangeiras foi formalizada pelo Departamento de Estado em maio de 2026 e entrou em vigor no início de junho, sob a égide da legislação de imigração dos Estados Unidos e de uma ordem executiva assinada por Trump. Na época da medida, o secretário de Estado Marco Rubio justificou a decisão argumentando que as redes dessas facções extrapolam as fronteiras do país, o que abriu caminho para a aplicação de sanções econômicas e jurídicas mais duras. O governo brasileiro, contudo, contestou a iniciativa no período, sustentando que o combate ao crime organizado cabe soberanamente ao Estado brasileiro, em parceria com a cooperação internacional.
Apesar das críticas contundentes do Executivo norte-americano, o Brasil ficou de fora da lista de nações que teriam falhado de maneira demonstrável no cumprimento de obrigações internacionais antidrogas, categoria que incluiu Afeganistão, Bolívia, Birmânia, Colômbia e Venezuela. O país também não consta no rol dos principais territórios de trânsito ou fabricação de substâncias ilícitas.
Em resposta às declarações de Trump, o Ministério da Justiça e Segurança Pública emitiu uma nota oficial para refutar qualquer alegação de omissão no combate ao crime transnacional. A pasta destacou iniciativas recentes, como a sanção da Lei Antifacção em março de 2026, projetada para endurecer penas contra líderes criminosos e asfixiar o financiamento dessas estruturas. O comunicado também mencionou dezenas de milhares de operações federais que causaram bilhões de prejuízos ao crime, além das ações do Programa Brasil contra o Crime Organizado, lançado em maio.
O governo brasileiro pontuou ainda que o relatório desconsidera a cooperação bilateral já existente e lembrou a proposta entregue pessoalmente pelo presidente Lula em Washington, no dia 7 de maio de 2026, com medidas conjuntas contra a lavagem de dinheiro, o tráfico de armas e a partilha de inteligência, cujos desdobramentos ainda aguardam retorno de Washington.
O documento enviado ao Congresso dos Estados Unidos também distribuiu elogios e reservas a outros parceiros regionais. Governos alinhados como Argentina, Equador e El Salvador receberam menções favoráveis, assim como Colômbia, Bolívia, Peru e Venezuela, cujas recentes mudanças políticas alteraram a percepção de Washington sobre o narcotráfico. Em contrapartida, Canadá e México foram cobrados a endurecer o controle sobre o fentanil e precursores químicos, enquanto a China foi apontada como a maior produtora global de insumos para drogas sintéticas, exigindo maior rigor regulatório de Pequim.







