Ibatiba (ES) – Um levantamento divulgado nesta terça-feira (15) pela ONU coloca o espectro de conflitos bélicos de grandes proporções no centro das apreensões internacionais. A análise, que consultou mais de 1,3 mil especialistas de governos, do setor privado e da sociedade civil, revela uma mudança drástica na percepção de segurança: o risco de uma guerra mundial ampla saltou 16 posições no ranking de impactos globais, tornando-se uma preocupação urgente para o curto prazo.
Os números são reveladores. Entre os entrevistados, mais de um terço projeta a deflagração de um confronto de larga escala dentro dos próximos doze meses. Olhando para um horizonte ligeiramente mais distante, o cenário se mostra ainda mais alarmante, com três quartos dos consultados admitindo que tal possibilidade é real dentro de um período de sete anos.
Apesar da nova tensão geopolítica, a crise climática mantém o posto de maior risco sistêmico para o planeta. A inércia na implementação de medidas efetivas de mitigação é vista como o catalisador de uma sucessão de problemas em cascata, que vão desde a escassez acelerada de recursos naturais até a intensificação de eventos ambientais extremos, que castigam diferentes regiões simultaneamente.
No campo tecnológico, o relatório enfatiza dois pontos críticos: a rápida propagação de conteúdos falsos, considerada a ameaça mais iminente na esfera digital, e a concentração excessiva de poder econômico e político nas mãos de poucos players. A inteligência artificial, embora não detalhada como uma entidade isolada, aparece integrada a esse contexto de riscos que desafiam a regulação atual e a estabilidade das democracias.
O diagnóstico sobre a capacidade de resposta é desalentador. Embora a cooperação multilateral entre governos seja apontada como a única via possível para mitigar essas ameaças, a percepção predominante é de que o sistema vigente não possui a estrutura necessária para o desafio. Para 86% dos especialistas, os recursos destinados à prevenção de riscos globais são insuficientes, esbarrando na falta de dados confiáveis e na ausência de consenso político entre as potências mundiais.
Em meio ao novo mapa de preocupações, surge um dado curioso. Seis anos após o início da pandemia de covid-19, o risco de novos surtos infecciosos de alcance global deixou, pela primeira vez, a lista das dez principais ameaças monitoradas no estudo. A mudança indica um deslocamento do foco público e acadêmico para as crises de governança, o clima e a tecnologia, que agora dominam o topo da pauta internacional.








