Nova Délhi, Índia – Líderes das 11 nações que compõem o Brics selaram, ao término da 18ª Cúpula realizada em Nova Délhi, na Índia, um compromisso conjunto voltado à transformação das instituições multilaterais. O bloco, que agora reúne Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã, concentra cerca de 39% da economia mundial e quase metade da população do planeta, posicionando-se como uma força crescente nas decisões globais.
O documento final do encontro articula uma agenda política que deverá nortear a atuação do grupo em fóruns como a ONU, o G20 e a OMC. Em um momento de instabilidade geopolítica e tensões comerciais, os países signatários enfatizaram a urgência de uma governança global que seja, de fato, representativa da realidade contemporânea, defendendo abertamente que as organizações internacionais passem por reformas estruturais capazes de conferir maior voz ao Sul Global.
Uma das prioridades centrais para a diplomacia brasileira, a reforma do Conselho de Segurança da ONU, recebeu atenção especial na declaração. O texto registra o apoio explícito de potências como China e Rússia às pretensões de Brasil e Índia de ocuparem posições de maior destaque no órgão. A premissa central é que a configuração atual das Nações Unidas não condiz mais com o equilíbrio de poder do século XXI, sendo necessária uma transição para um sistema mais democrático, eficaz e inclusivo.
No campo financeiro, o Novo Banco de Desenvolvimento, conhecido como Banco do Brics, consolidou-se como o motor estratégico da integração econômica entre os membros. A cúpula estabeleceu metas para que a instituição amplie sua capacidade de financiamento em infraestrutura e desenvolvimento sustentável, incentivando o uso de moedas locais e a diversificação de fontes de crédito. Além disso, o bloco abriu caminho para a expansão de seus quadros, sinalizando receptividade a novos pedidos de adesão de países interessados.
A pauta econômica estendeu-se para a modernização das transações internacionais. Sem citar explicitamente sistemas nacionais, a declaração defendeu princípios de interoperabilidade e eficiência em pagamentos transfronteiriços, buscando alternativas mais ágeis e baratas para o comércio entre os integrantes. A estratégia inclui desde a digitalização de processos logísticos até a criação de uma plataforma voltada ao intercâmbio de produtos agrícolas, a Brics Grain Exchange.
Para além dos números e da política macroeconômica, o bloco reafirmou seu compromisso com a Agenda 2030 da ONU, colocando o combate à pobreza e às desigualdades — tanto internas quanto entre nações — como pilares de sua atuação. O texto final também condena enfaticamente o crescimento de discursos de ódio, a xenofobia e o racismo, defendendo que o combate a essas práticas seja acompanhado por uma maior presença feminina nos postos de comando de organismos globais.
Em relação ao comércio exterior, os líderes do Brics manifestaram preocupação com o avanço de políticas protecionistas e medidas tarifárias que fogem às normas da OMC. O posicionamento busca garantir que o sistema multilateral de trocas permaneça ancorado em regras claras, minimizando os impactos da desaceleração econômica global sobre os países em desenvolvimento. A mensagem central é de busca por um multilateralismo que não apenas sobreviva às tensões atuais, mas que se reorganize em torno de maior cooperação e equilíbrio de forças.







