Brasília (DF) – O Comitê de Política Monetária (Copom) confirmou a expectativa do mercado financeiro e reduziu a Taxa Selic em 0,25 ponto percentual, fixando os juros básicos da economia em 13,75% ao ano. Esta é a quinta vez consecutiva que a autoridade monetária opta pelo corte, mantendo a trajetória de afrouxamento iniciada após um longo período de aperto monetário.
A decisão foi tomada de forma unânime, apesar do cenário de instabilidade internacional e dos riscos domésticos. Em comunicado, o colegiado destacou que o ambiente externo permanece nebuloso, impactado pelos desdobramentos dos conflitos armados no Oriente Médio e pelas indefinições sobre a política monetária de economias avançadas. Segundo o órgão, essa conjuntura exige cautela redobrada de países emergentes, especialmente em um momento marcado pelo aumento na volatilidade de preços de ativos e de commodities.
O movimento de queda dos juros ocorre em um contexto de desaceleração da inflação oficial, medida pelo IPCA, que registrou recuo de 0,32% em agosto — o patamar mais baixo em quatro anos, influenciado principalmente pelo bônus tarifário de Itaipu nas contas de luz e pela queda nos preços dos alimentos. No acumulado de doze meses, o índice atingiu 4,22%. Contudo, o Banco Central mantém o sinal de alerta ligado, uma vez que o fenômeno climático El Niño pode pressionar novamente os custos da alimentação nos próximos meses.
A estrutura do colegiado segue incompleta, com duas cadeiras de diretoria — Organização do Sistema Financeiro e Política Econômica — vagas desde o encerramento dos mandatos de Renato Gomes e Diego Guillen no final de 2025. Até o momento, o governo não enviou ao Congresso Nacional os nomes dos indicados para compor as vacâncias.
A política de juros agora opera sob o sistema de meta contínua, implementado em janeiro de 2025, onde o objetivo de 3% de inflação é monitorado mês a mês. O mercado financeiro, conforme dados do boletim Focus, projeta que o IPCA feche o ano em 4,9%, patamar que supera o teto de 4,5% estabelecido pela meta. Paralelamente, as estimativas de crescimento do Produto Interno Bruto para 2026 recuaram para 1,89%, indicando um ritmo de atividade moderado.
A Selic atua como a principal ferramenta de controle inflacionário, influenciando diretamente o custo do crédito e, por consequência, o consumo e a produção. O desafio para a autoridade monetária permanece equilibrar o estímulo econômico, através de taxas menos onerosas, sem comprometer a estabilidade dos preços, que ainda enfrentam desafios estruturais derivados da incerteza global e das variáveis climáticas.










