Vitória (ES) – Nove dias depois de uma avalanche violenta de gelo e lama atingir as encostas do Nepal, equipes de emergência conseguiram retirar dois trabalhadores com vida do interior de uma galeria subterrânea nesta sexta-feira. O resgate representa um alívio pontual em meio a um desastre de proporções históricas, que devastou comunidades inteiras e comprometeu severamente a infraestrutura do país.
Os dois homens estavam retidos em uma estrutura subterrânea associada a um complexo hidrelétrico desde o momento em que a enxurrada cobriu as entradas das galerias. Após a operação de retirada, ambos foram transportados diretamente para um hospital militar situado na capital, Catmandu. O estado de saúde de ambos é considerado estável pelas equipes médicas que acompanham a recuperação.
Registros visuais divulgados pelas autoridades nepalesas mostram o instante exato em que um dos operários foi içado através de uma abertura escavada no solo, sob a comemoração dos socorristas presentes. Em seu primeiro relato após o resgate, o trabalhador explicou que permaneceu dentro da sala de controle do complexo subterrâneo com o objetivo de orientar outros operários e facilitar a fuga de colegas antes que a passagem ficasse bloqueada.
A dupla resgatada informou ainda que conseguiu estabelecer contato verbal, durante o confinamento, com um grupo de três ou quatro pessoas que também podem ter resistido ao soterramento. A busca por sobreviventes continua como prioridade máxima, em um cenário onde o desprendimento da geleira deixou pelo menos 900 pessoas confinadas em túneis que pertencem a seis projetos hidrelétricos situados nas margens do rio Trishuli.
Apesar do sucesso no salvamento desta sexta-feira, os socorristas também localizaram os corpos de três vítimas no mesmo conjunto de túneis. A dimensão humana da tragédia no vale é dramática: a cheia repentina provocou mais de 1.300 mortes e deixou um saldo superior a 5.600 pessoas desaparecidas nas imediações da fronteira com o Tibete. Do outro lado da linha divisória, no território sob administração chinesa, foram confirmados 31 óbitos e mais de 500 desaparecimentos.
A fúria das águas atingiu o ponto máximo no dia 26, quando o leito dos rios subiu até 18 metros acima dos níveis habituais. A força da cheia varreu povoados ao longo de uma faixa contínua de 72 quilômetros de extensão. Na área diretamente afetada existiam cerca de 20 mil moradias, das quais aproximadamente metade acabou destruída ou severamente danificada pela passagem da lama.
Os cálculos preliminares sobre o impacto financeiro apontam prejuízos que ultrapassam a marca de 2,5 bilhões de dólares em destruição de moradias, redes de transporte e estruturas públicas. Para os primeiros quatro meses de trabalho emergencial, estima-se a necessidade de 50 milhões de dólares destinados à recuperação de estradas essenciais, montagem de abrigos temporários e restabelecimento dos serviços de água potável e energia elétrica.










