Rio de Janeiro (RJ) – Um relatório da Polícia Federal, tornado público após o levantamento de sigilo pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, detalha o suposto recebimento de vantagens indevidas pelo ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro. As apurações integram a segunda fase da Operação Sem Refino, iniciada em 14 de agosto para investigar fraudes na concessão de licenças ambientais para a Refinaria de Manguinhos, conhecida como Refit.
O documento, que embasou a execução de 16 mandados de busca e apreensão, sustenta que a atuação de órgãos estaduais teria sido direcionada para beneficiar os interesses do empresário Ricardo Magro. De acordo com os investigadores, o esquema envolvia lavagem de dinheiro e o uso de empresas de fachada para ocultar patrimônio, servindo como suporte para quitar despesas pessoais do então chefe do Executivo fluminense.
Entre os episódios narrados, a PF destaca uma degustação de caviares encomendada por Castro no Hotel Emiliano, em São Paulo, ao custo de R$ 10,5 mil. Segundo a investigação, a conta foi paga pela AC Santos Participações e Empreendimentos, empresa de Antonio Carlos da Conceição Santos, o “Pipo”, apontado pela corporação como o principal articulador de lavagem de dinheiro do grupo da Refit.
O relatório também aponta que Castro usufruía de uma mansão em Petrópolis, na região serrana do Rio, onde teria ordenado a construção de uma adega personalizada avaliada em R$ 245 mil. O imóvel está registrado em nome da empresa Concrecasa Construções Inteligentes Ltda. Ainda segundo o levantamento, o aluguel da cobertura onde o político reside, na Barra da Tijuca, seria pago por um valor significativamente abaixo do mercado, aproximadamente R$ 10 mil ante os R$ 25 mil praticados na região.
A investigação sugere que as licenças ambientais foram concedidas desrespeitando diretrizes técnicas, enquanto mensagens interceptadas em celulares apreendidos indicariam que Castro mantinha contato direto com responsáveis por tais liberações. Ricardo Magro, identificado como o líder da organização, teve a prisão preventiva decretada por Moraes, mas encontra-se foragido e consta na lista de difusão vermelha da Interpol.
A defesa de Cláudio Castro negou veementemente qualquer envolvimento em crimes de lavagem de dinheiro ou recebimento de vantagens ilícitas. Em nota, os advogados afirmam que o contrato de locação da cobertura é regular e que o imóvel em Petrópolis era alugado, com contrato já encerrado. Sobre o episódio do caviar, a defesa sustenta que a encomenda foi feita por um amigo e que Castro apenas retirou os produtos, consumindo um deles com permissão. O ex-governador reiterou que seus contatos com a Refit foram institucionais e solicitou ao STF que possa prestar depoimento à PF para esclarecer os pontos levantados.









