Brasília (DF) – O radar da Polícia Federal voltou-se para o gabinete do senador Weverton Rocha (PDT-MA) nesta terça-feira, 4 de junho. A corporação deflagrou uma nova etapa da Operação Sem Desconto, focada em desarticular um esquema robusto de lavagem de dinheiro e fraudes estruturadas a partir de descontos indevidos em benefícios geridos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Ao todo, 18 mandados de busca e apreensão foram cumpridos no Distrito Federal e no Maranhão. A ordem judicial partiu do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que supervisiona as investigações contra o parlamentar.
O que as autoridades descrevem é uma teia complexa de movimentações financeiras. Segundo o relatório da PF, o dinheiro circulava através de uma rede densa: uso de laranjas, contas bancárias de terceiros, fachadas empresariais e vultosas operações em espécie. O objetivo seria mascarar a origem e o destino final dos valores ilícitos.
Nos documentos enviados ao STF, os investigadores desenham o papel que atribuem ao senador. Weverton Rocha atuaria, segundo a PF, como o maestro da operação: desde a formulação das demandas e a indicação de beneficiários até a cobrança de pagamentos e a gestão direta de imóveis. Ele teria, ainda, interferido em decisões patrimoniais cruciais para o sucesso do grupo.
Ao lado do senador, o advogado Willer Tomaz de Souza surge como uma peça fundamental na engrenagem. A estrutura que lhe é atribuída conecta empresas, aeronaves, escritórios de advocacia e um time de operadores financeiros e contatos políticos. Entre os alvos da manhã desta terça estão familiares do senador, empresários e profissionais que orbitam esse círculo de poder.
Um dos pontos de atenção dos investigadores é a movimentação financeira de Samya Rocha. A esposa do senador teria recebido, conforme apontado na apuração, mais de R$ 11 milhões oriundos de empresas que possuem ligação direta com Willer Tomaz.
O ministro André Mendonça, ao autorizar as diligências, deixou claro que o material probatório acumulado até aqui possui solidez. Em sua decisão, destacou que o conteúdo apresentado vai muito além de meras conjecturas, citando uma clara correlação temporal entre o que foi detectado nas comunicações e os aportes financeiros feitos pelo grupo.
Agora, o esforço da PF concentra-se em rastrear o caminho exato do dinheiro. A meta é individualizar as condutas de cada um dos envolvidos e compreender a motivação dos repasses realizados. A defesa dos investigados ainda não se manifestou publicamente sobre as acusações e o desenrolar das buscas desta semana.











