Rio de Janeiro (RJ) – A sexta fase da Operação Unha e Carne colocou sob o foco das autoridades nomes de peso da política e da segurança pública fluminense. Na manhã desta terça-feira (7), agentes da Polícia Federal cumpriram 19 mandados de busca e apreensão em Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Resende e na capital carioca. Entre os alvos da investida estão o ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella, e o ex-secretário de Polícia Civil, delegado Marcus Amim.
A investigação aponta que o grupo criminoso utilizava uma ampla rede de postos de combustíveis no Grande Rio como fachada para lavar dinheiro proveniente de atividades ilícitas. A estrutura contava com o apoio direto de agentes públicos para manter a operação em funcionamento. Além do ex-prefeito e do delegado, a lista de alvos da PF inclui um policial civil e um ex-policial militar.
O impacto financeiro do esquema é robusto. Relatórios de inteligência do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) detalham que o grupo movimentou cifras que ultrapassam R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos. Em resposta à gravidade dos indícios, a Justiça determinou o sequestro de bens e valores, além de ordenar a suspensão imediata das atividades econômicas de diversas empresas que integram a rede investigada.
Durante a execução dos mandados, os agentes encontraram um vasto arsenal e itens de alto valor. Em um imóvel localizado no bairro de Camboinhas, em Niterói, foram apreendidos cinco revólveres, um fuzil, munições, além de uma coleção de relógios, joias, quatro veículos de luxo e uma quantia expressiva em moedas estrangeiras, incluindo dólar, euro e libra. Em outra residência, no bairro de Piratininga, a polícia confiscou mais dois carros de luxo.
Márcio Canella, que ocupou a prefeitura de Belford Roxo entre 2025 e 2026, foi conduzido à Superintendência da Polícia Federal no centro do Rio de Janeiro para prestar depoimento. O político, que deixou o cargo em abril para disputar as próximas eleições, terá de explicar sua suposta conexão com o esquema. Os envolvidos podem responder por crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e contratação direta ilegal, entre outras tipificações que podem surgir à medida que os documentos forem analisados.
A Secretaria de Estado de Polícia Civil informou, por meio de nota, que a Corregedoria-Geral instaurou um procedimento disciplinar para investigar a conduta dos agentes envolvidos. A instituição reforçou que possui mecanismos internos de controle e que colabora integralmente com o trabalho da PF, reiterando o compromisso com a legalidade e a transparência no serviço público.
Esta operação integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, um esforço coordenado pela Polícia Federal para desmantelar organizações criminosas no estado do Rio de Janeiro, seguindo as diretrizes estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal na ADPF 635. Até o momento, as defesas dos investigados não foram localizadas para comentar as acusações.











