Guarulhos (SP) – A perda irreversível da visão de uma frequentadora de um bar na Grande São Paulo motivou uma ação penal formalizada pela 16ª Promotoria de Justiça Criminal de Guarulhos. A acusação formal, protocolada na última sexta-feira (25), aponta que dois indivíduos tiveram participação direta na circulação de vodca adulterada com metanol, substância altamente tóxica que provocou o comprometimento permanente dos olhos da vítima em setembro de 2025.
As investigações conduzidas revelaram que a cadeia de distribuição ilegal envolvia a aquisição deliberada de produtos sem notas fiscais ou qualquer tipo de garantia de procedência. Um dos réus administrava um comércio localizado na Avenida Guarulhos e escolhia fornecedores unicamente com base no menor custo, ignorando a ausência de documentação legal que comprovasse a origem das mercadorias comercializadas no local.
O segundo envolvido atuava como o elo de abastecimento desse estabelecimento. Conforme a acusação, ele comprava garrafas de desconhecidos nas imediações do Mercado Municipal de São Paulo e repassava os itens aos comerciantes como se fossem originais de uma marca amplamente conhecida no mercado, omitindo a falta de autenticidade dos lotes.
O caso veio à tona no dia 27 de setembro de 2025, quando a frequentadora consumiu a bebida no bar e manifestou sintomas severos de intoxicação. O quadro clínico evoluiu rapidamente para a internação hospitalar e culminou na perda total e definitiva da capacidade visual em ambos os olhos.
A fiscalização avançou sobre o estabelecimento comercial em 15 de outubro do mesmo ano, resultando na apreensão de diversas garrafas suspeitas. Análises laboratoriais realizadas nas amostras detectaram teores de metanol entre 34,6% e 40,9%, confirmando que os líquidos eram falsificados, impróprios para ingestão humana e de extrema nocividade à saúde pública.
Com a formalização da acusação, os dois homens passam a responder judicialmente por falsificação de produtos destinados ao consumo e por lesão corporal grave, delitos associados à cadeia de negligência que destruiu a visão da cliente.












