Brasília (DF) – O cenário para a taxa básica de juros brasileira aponta para uma nova flexibilização monetária nesta semana. A expectativa predominante entre os analistas financeiros é de que o Comitê de Política Monetária (Copom) aplique um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, levando o indicador dos atuais 14% para 13,75%. A projeção foi detalhada no Boletim Focus, documento divulgado pelo Banco Central na segunda-feira (14), que consolida as estimativas do mercado para os indicadores macroeconômicos.
O cronograma do Banco Central indica que a decisão sobre a trajetória dos juros será tomada entre os dias 15 e 16 de setembro. Para o encerramento do exercício de 2026, a perspectiva majoritária é de que a taxa de juros permaneça estagnada no patamar de 13,75%. A política de juros altos tem sido o principal mecanismo utilizado pela autoridade monetária para tentar conter as pressões inflacionárias, um desafio intensificado recentemente por fatores externos.
A instabilidade geopolítica no Oriente Médio tem exercido impacto direto sobre a economia doméstica, encarecendo produtos básicos como combustíveis e alimentos, o que limita a velocidade de descompressão dos preços. Entre junho de 2025 e março do ano vigente, a Selic esteve fixada em 15%, configurando o maior nível registrado em quase duas décadas. Após esse período de restrição máxima, o Copom iniciou uma sequência de cortes graduais a partir de março, reflexo de uma trajetória de arrefecimento inflacionário que agora enfrenta novos obstáculos.
Em relação ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o Boletim Focus trouxe um leve otimismo em comparação ao levantamento da semana anterior. A projeção de inflação para 2026 recuou de 5% para 4,90%. O indicador mantém uma trajetória de queda moderada, considerando que há quatro semanas a estimativa dos especialistas era de 5,02% ao final deste ano. Para 2027, o mercado estima que o índice oficial de inflação fechará em 4,30%.
A atividade econômica brasileira, medida pelo Produto Interno Bruto (PIB), apresenta expectativas mais contidas. Os analistas agora preveem uma expansão de 1,89% para 2026, número que sofreu redução frente aos 1,93% projetados na semana passada e aos 1,98% esperados há um mês. Para o próximo ano, a expectativa de crescimento econômico é de 1,45%. Enquanto os indicadores de atividade e preços oscilam, o mercado mantém uma postura de cautela em relação ao câmbio: a cotação do dólar para o fim de 2026 permanece estável em R$ 5,20, marca que se repete há 13 semanas consecutivas.













