Guarapari (ES) – Nesta sexta-feira, o Dia Mundial da Saúde Ocular coloca em evidência a fragilidade da nossa percepção visual e a necessidade de políticas de prevenção. A data, estabelecida globalmente para promover o cuidado com os olhos, ganha contornos urgentes no Brasil, onde quase 8 milhões de pessoas convivem com cegueira ou dificuldades severas de enxergar, conforme dados do censo do IBGE. O número assusta, mas o que realmente deveria preocupar é o potencial evitável dessas condições.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 80% dos quadros de deficiência visual poderiam ser tratados ou prevenidos se o diagnóstico ocorresse no início. O desafio reside na natureza silenciosa de muitas dessas patologias. Catarata, glaucoma, retinopatia diabética e a degeneração macular relacionada à idade são as principais vilãs, muitas vezes evoluindo sem qualquer sintoma aparente até que o dano já esteja consolidado.
Embora o envelhecimento seja um gatilho natural, o descuido pode atingir qualquer faixa etária, inclusive crianças. Predisposição genética, diabetes, hipertensão arterial e o estilo de vida contemporâneo — marcado pelo excesso de telas — compõem o cenário de risco. Foi em uma consulta de rotina, sem qualquer queixa prévia, que o administrador Alexandre de Menezes, de 49 anos, descobriu sofrer de catarata. A surpresa foi absoluta.
“Eu associava essa condição apenas a pessoas mais velhas. No dia a dia, não sentia que minha visão tinha caído”, relata. Após o diagnóstico, o tratamento foi célere: uma cirurgia realizada em uma quarta-feira permitiu que, na segunda-feira seguinte, ele já estivesse de volta ao trabalho. O impacto da correção foi imediato. Olhar pela janela de casa e enxergar detalhes que antes passavam despercebidos, sem o auxílio de óculos, tornou-se uma experiência reveladora sobre a importância do acompanhamento médico.
A oftalmologista Núbia Vanessa enfatiza que a estratégia mais eficaz para evitar a cegueira — tanto a reversível quanto a irreversível — é o rastreio constante. Ela alerta que pacientes com comorbidades, a exemplo de doenças autoimunes, diabetes ou pressão alta, possuem uma necessidade ainda maior de vigilância. O monitoramento contínuo com um especialista é o que separa um tratamento simples de uma perda funcional definitiva.
Além das visitas regulares ao consultório, a manutenção da saúde dos olhos depende de hábitos cotidianos. O uso indiscriminado de colírios sem prescrição médica é um erro comum, assim como a falta de proteção contra raios ultravioleta. Em um mundo digital, até pequenas pausas durante o uso de telas fazem diferença. A visão, muitas vezes negligenciada no check-up habitual, exige atenção constante para que o mundo continue nítido.











