Brasília (DF) – O procurador-geral da República, Paulo Gonet, solicitou nesta segunda-feira (6) que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) preste depoimento no inquérito que apura um suposto crime de calúnia cometido contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O documento foi encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, que conduz a investigação.
A estratégia de Gonet se baseia na legislação penal vigente. Ao defender a oitiva, o procurador destacou que o parlamentar tem a chance de se retratar publicamente pelas falas que motivaram a ação, um gesto previsto em lei que pode, na prática, isentar o investigado de qualquer pena. Por essa razão, a recomendação é que os autos retornem à Polícia Federal para a coleta desse depoimento.
Na argumentação enviada à Corte, o chefe do Ministério Público Federal frisou que a medida possui especial relevância, justamente por oferecer ao senador a prerrogativa da retratação. O imbróglio gira em torno de uma postagem publicada por Flávio Bolsonaro na rede social X em 3 de janeiro deste ano, logo após a captura de Nicolás Maduro pelas autoridades dos Estados Unidos.
Na ocasião, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro escreveu que Lula seria delatado, classificando o episódio como o término do Foro de São Paulo. O texto ainda elencava acusações graves ao relacionar o atual governo a crimes de tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, apoio a ditaduras e organizações terroristas, além de mencionar fraudes em processos eleitorais.
A Polícia Federal encerrou as investigações sobre o caso no mês passado. No relatório final, a corporação concluiu que o conteúdo das declarações configura o crime de calúnia contra o chefe do Executivo federal. Agora, cabe a Alexandre de Moraes deliberar sobre o pedido de Gonet e definir se a oitiva deve ocorrer conforme a solicitação da Procuradoria-Geral da República.
Até o momento, a defesa do senador não comentou o desdobramento do inquérito. A assessoria de Flávio Bolsonaro foi procurada para se manifestar sobre a posição da PGR, mas não houve resposta até a conclusão desta reportagem. O espaço segue disponível para que o parlamentar apresente sua versão dos fatos.













