Pequim, China – A parceria comercial entre o Brasil e a China, consolidada como a mais importante para o país desde 2009, movimenta cifras que superam os US$ 150 bilhões anuais. Para dar fluidez a essa engrenagem gigantesca de exportação de soja, minério de ferro e petróleo, o governo brasileiro decidiu estabelecer uma ponte burocrática direta na capital chinesa, encurtando caminhos que antes dependiam de longos trâmites diplomáticos.
Na última sexta-feira (26), durante o encerramento de uma missão oficial à Ásia, foi inaugurada a Adidância Tributária e Aduaneira do Brasil em Pequim. Sob a liderança do ministro da Fazenda, Dario Durigan, a nova unidade passa a funcionar como um braço avançado da Receita Federal no território chinês. Trata-se do quinto escritório desse modelo aberto pelo Brasil no exterior, somando-se às representações ativas em Washington, Buenos Aires, Assunção e Montevidéu.
Atuação técnica e estratégica
O posto será ocupado de forma permanente por um auditor-fiscal da Receita Federal. O papel desse profissional é estritamente técnico, diplomático e de articulação, sem qualquer poder de decisão sobre processos tributários ou disputas aduaneiras. A meta é criar um canal de diálogo ágil com os órgãos de fiscalização e arrecadação locais, antecipando problemas e buscando a convergência de regras que facilitem o fluxo de mercadorias.
Com a presença física de um especialista no país asiático, a expectativa é que as empresas brasileiras encontrem um ambiente de negócios mais previsível. A proximidade física deve ajudar a esclarecer dúvidas sobre a complexa legislação chinesa, acelerar a liberação de cargas nos portos e reduzir os custos logísticos que hoje encarecem as operações.
Segurança e repressão a ilícitos
A nova estrutura também terá papel relevante na segurança comercial. A atuação conjunta com a Administração Tributária Estatal da China e a Administração Geral de Aduanas focará na repressão a crimes financeiros e aduaneiros. O compartilhamento direto de informações e a integração digital de processos são vistos como ferramentas essenciais para asfixiar a evasão fiscal, o contrabando e a concorrência desleal.
Essa cooperação se apoia em tratados bilaterais preexistentes, desenhados para evitar a dupla tributação e garantir assistência mútua em alfândegas. A instalação do escritório em Pequim já estava nos planos da Receita Federal desde julho do ano passado, quando os primeiros estudos de viabilidade foram anunciados.
Atração de investimentos verdes
A agenda brasileira na Ásia, contudo, não se limitou à facilitação do comércio tradicional. A comitiva aproveitou a passagem pela China para apresentar a investidores estrangeiros a carteira de projetos de transição energética do programa Eco Invest Brasil. O foco está em atrair capital para setores estratégicos como energia limpa, minerais de alta tecnologia, descarbonização da indústria, baterias e inteligência artificial.
Após a etapa chinesa, a delegação segue com a rodada de apresentações para o Japão e a Coreia do Sul, na tentativa de capturar o interesse de grandes grupos financeiros e tecnológicos desses países para a agenda sustentável brasileira.











