Serra (ES) – O calendário festivo de junho e julho, marcado por fogueiras, fogos de artifício e reuniões em torno de alimentos quentes, trouxe um alerta urgente sobre a segurança de crianças e adolescentes. Um levantamento recente indica que, apenas nos dois últimos anos, o sistema público de saúde contabilizou 13,8 mil internações causadas por queimaduras e outros danos térmicos graves nessa faixa etária.
O cenário é preocupante para os menores de cinco anos, grupo que concentra 53,8% das hospitalizações registradas entre 2024 e 2025. Esses números, embora expressivos, representam apenas a ponta de um iceberg: a estatística ignora casos de menor complexidade tratados em prontos-socorros, clínicas ou diretamente nas residências das famílias.
A dinâmica dos acidentes reflete a curiosidade natural do desenvolvimento infantil. Crianças são atraídas pelo brilho, pelo movimento e pelas cores de objetos que, muitas vezes, escondem perigos fatais. O desafio para os responsáveis é que os pequenos ainda não possuem a maturidade necessária para identificar situações de risco, o que torna a supervisão constante a principal barreira de proteção.
Perfil das ocorrências
A rotina doméstica é, ironicamente, o local onde ocorre a maior parte dos episódios. O preparo de refeições, o manuseio de líquidos ferventes e o contato com superfícies quentes superam, em frequência, os acidentes causados pelo fogo das celebrações sazonais. Em média, quase 20 crianças e adolescentes foram hospitalizados diariamente por queimaduras nos anos analisados. Além das fontes de calor diretas, eletricidade, produtos químicos — como soda cáustica e itens de limpeza — e substâncias inflamáveis completam a lista de agentes perigosos.
Os dados regionais ajudam a mapear onde a incidência é maior. O Sudeste lidera o número de internações em ambos os anos, seguido pelas regiões Nordeste e Sul. A gravidade desses eventos é atestada pelos registros de mortalidade, que indicam mais de 300 óbitos anuais entre o público pediátrico decorrentes de acidentes térmicos no período pesquisado.
A vulnerabilidade da pele infantil
Especialistas reforçam que a biologia da criança joga contra. A pele infantil é notavelmente mais fina e sensível do que a de um adulto. Isso significa que, diante de um agente térmico, a lesão tende a atingir camadas mais profundas com maior rapidez, aumentando a probabilidade de sequelas permanentes e a necessidade de intervenções cirúrgicas complexas.
A recomendação é clara: qualquer artefato que envolva fogo, explosão ou calor deve ser mantido fora do alcance de menores. Manter objetos em locais altos, proteger tomadas e evitar o acesso a áreas de cozinha durante o preparo de refeições são medidas simples, mas que frequentemente fazem a diferença entre uma celebração segura e um atendimento de emergência.












