Los Angeles, Estados Unidos – O vestiário do estádio de Los Angeles guardava uma surpresa após o empate sem gols entre Irã e Bélgica. Quando os funcionários da limpeza entraram no recinto, encontraram uma carta escrita à mão, deixada pela delegação iraniana pouco antes de sua partida. O texto, redigido em inglês, era um manifesto de civilidade que contrastava com a tensão logística que marcou a presença da equipe no território norte-americano durante esta fase classificatória do Mundial.
O conteúdo da mensagem faz uma ponte entre a herança histórica do país e sua atuação contemporânea. “Da Pérsia antiga de milhares de anos atrás ao Irã civilizado de hoje, o espírito do Irã permanece vivo e inabalável”, declararam os atletas. Eles reforçaram que chegaram à Califórnia carregando orgulho, competiram honrando a camisa e se retiraram com dignidade. Antes de encerrar, o grupo estendeu um agradecimento aos torcedores locais e à hospitalidade da cidade, finalizando com um desejo que transparece o atual cenário geopolítico: que o respeito e a amizade superem as divisões entre as nações.
A presença da seleção iraniana nos Estados Unidos, país que divide a sede do torneio com Canadá e México, esteve longe de ser um protocolo simples. Durante todo o período da primeira fase, o time enfrentou um vaivém constante. Por restrições impostas aos vistos da delegação, os jogadores não puderam estabelecer uma base fixa em solo americano. A solução encontrada foi inusitada: o grupo precisou se deslocar para Tijuana, no México, logo após o término de cada compromisso em campo.
O planejamento original previa uma estadia no Arizona, mas o acordo caiu por terra poucos dias antes do apito inicial, forçando a transferência para o lado mexicano da fronteira. A logística foi alvo de debates acalorados nos bastidores políticos. Quando a emissão dos vistos foi finalmente confirmada pelo Departamento de Estado dos EUA, houve uma ressalva pública por parte de autoridades governamentais, que sublinharam a concessão apenas para atletas e equipe técnica, acompanhada por um alerta sobre o uso do sistema de imigração.
A carta, portanto, não é apenas um agradecimento de cortesia esportiva. Ela carrega o peso de uma delegação que jogou sob um escrutínio internacional incomum e restrições severas de circulação. Ao optar por palavras que celebram a paz, os jogadores tentaram, à sua maneira, contornar o clima de desconfiança que pautou sua passagem pelas cidades americanas nesta Copa de 2026.






