Uberlândia (MG) – O fluxo de dinheiro do crime organizado, alimentado pela cocaína que atravessava fronteiras, sofreu um duro golpe na última terça-feira (2). Agentes federais miraram o núcleo central de uma facção sediada em Uberlândia, Minas Gerais, dando início à Operação Mens Occulta. O objetivo era estancar uma estrutura logística que, longe de ser apenas artesanal, funcionava como uma holding da ilegalidade.
Ao longo da investigação, ficou evidente que a cocaína não era um problema restrito às rotas de passagem. O montante apreendido durante o período de apuração, que totalizou 2,9 toneladas da droga vindas de Corumbá, no Mato Grosso do Sul, mostrava apenas a ponta do iceberg. Relatórios de inteligência financeira indicam uma movimentação impressionante de R$ 70 milhões nos últimos cinco anos, cifra que circulava sem qualquer lastro contábil ou comercial legítimo.
Para dissimular a origem do capital, os investigados montaram um complexo sistema de empresas de fachada. A sofisticação da lavagem era proporcional à sede por luxo. O dinheiro sujo financiava um padrão de vida de ostentação, convertendo o lucro das drogas em imóveis de alto valor, cavalos de linhagem nobre, embarcações e frotas de veículos. Era um cenário onde o patrimônio servia tanto como reserva financeira quanto como símbolo de status.
Mobilização em diversos estados
A ofensiva, deflagrada com a força de 230 policiais federais, tomou corpo cedo. Foram expedidos pela Justiça Federal, especificamente pela Subseção Judiciária vinculada ao TRF6, 25 mandados de prisão preventiva e 49 ordens de busca e apreensão. A malha da operação não ficou restrita a Minas Gerais; estendeu-se geograficamente para impedir que os alvos se dissipassem pelo território nacional.
As buscas e prisões se concentraram em cidades como Uberlândia, Uberaba, Ituiutaba, Araguari, Centralina, Araporã e Belo Horizonte. Paralelamente, em Cariacica (Espírito Santo), além de Campo Grande e Corumbá (Mato Grosso do Sul), agentes cumpriam ordens judiciais simultâneas. O esforço concentrado reflete a complexidade da rede, que conectava produtores no Centro-Oeste aos centros de distribuição e lavagem de dinheiro no Sudeste.
O sucesso desta ação agora impõe um desafio novo para os investigadores: aprofundar o rastreamento das ramificações dessa estrutura, cujas raízes, como mostra o volume de bens confiscados, alcançavam diferentes níveis da economia local. Enquanto os documentos e bens apreendidos passam por perícia, a polícia tenta entender como uma movimentação tão robusta permaneceu oculta por tanto tempo, operando à margem do sistema financeiro enquanto ostentava sucesso e impunidade.








