El Alto, Bolívia – O apoio ao governo do presidente Paz ganhou contornos mais rígidos na quinta-feira, 4 de junho, com uma sinalização direta dos Estados Unidos. Em um comunicado compartilhado pelo Departamento de Guerra norte-americano em conjunto com a Coalizão Anticartel das Américas, o governo do país deixou claro que não tolera movimentos voltados à ruptura da ordem institucional. A mensagem, curta e calculada para ser lida nos círculos diplomáticos e militares, enfatizou que o olhar dos EUA segue atento aos desdobramentos locais, priorizando a segurança de toda a região.
Enquanto o cenário oficial mantém a promessa de resguardo, o jogo político interno ferve em outra direção. O ex-presidente Morales, figura central na oposição, não apenas endossou as manifestações que ganham as ruas, mas subiu o tom. Ele exigiu a antecipação do pleito eleitoral, tratando as turbulências atuais como uma resposta direta — e necessária — às estratégias econômicas implementadas por Paz.
A retórica, porém, soa diferente longe dos palácios. Em El Alto, a realidade é medida pelo que falta nas despensas. Bloqueios de rodovias impostos pelos protestos transformaram o cotidiano em uma conta difícil de fechar. Clemento Calle, morador da região, traduz o desespero de quem não encontra vegetais ou proteínas nos mercados há dias. A escassez fez os preços dispararem, forçando uma escolha política prática para quem lida com o estômago vazio: se a saída do atual mandatário for o preço para a normalização do abastecimento, a disposição popular parece caminhar para a exigência de uma renúncia imediata.









