Serra (ES) – O cenário político colombiano mudou drasticamente nesta terça-feira, 1º de maio. O primeiro turno das eleições presidenciais consolidou o advogado Abelardo de la Espriella e o senador Ivan Cepeda como os dois nomes que seguem na corrida pelo comando da nação. O resultado frustrou analistas, já que as sondagens de opinião previam um cenário inverso para esta etapa do pleito.
Espriella, um estreante nas urnas aos 47 anos, capturou 43,7% do eleitorado, capitalizando sobre um discurso de endurecimento na segurança pública. Ele não esconde a admiração por figuras como Donald Trump e Javier Milei, prometendo uma presença ostensiva das Forças Armadas nas vias urbanas para sufocar a criminalidade. Enquanto isso, o senador Ivan Cepeda alcançou 40% dos votos. Com a chancela do atual presidente, Gustavo Petro, sua plataforma se sustenta na preservação e ampliação das políticas sociais vigentes.
A configuração do pleito empurrou nomes tradicionais para a margem. A senadora Paloma Valência, apoiada pelo ex-presidente Álvaro Uribe, encerrou sua participação em terceiro lugar, com apenas 7% dos votos — um contraste brutal com as disputas anteriores onde a direita uribista ditava os rumos do país.
A sombra da insegurança
O clima eleitoral é pesado. A violência, uma constante nas rotinas colombianas, atingiu níveis críticos durante a campanha. O trauma do assassinato do senador Miguel Uribe Turbay, morto meses depois de ser alvo de um atentado a tiros, pairou sobre todo o processo. Os candidatos remanescentes — Cepeda, Espriella e Valência — relataram ameaças de morte recorrentes, tornando esta votação uma das mais tensas da história recente.
Divergências sobre o sistema
Curiosamente, a postura sobre a lisura do pleito varia dentro do próprio campo da esquerda. Embora Cepeda tenha afirmado que sua base não encontrou anomalias nos números, o presidente Gustavo Petro adotou tom de enfrentamento. Ainda no domingo, dia 31, Petro levantou suspeitas sobre o método de contagem adotado pelo tribunal eleitoral e declarou que não reconhecia, naquele momento, a validade dos dados iniciais. Essa desconfiança institucional adiciona uma camada extra de incerteza ao cronograma que levará os colombianos de volta às seções eleitorais.
Agora, resta observar como o eleitorado de Paloma Valência se comportará diante de opções tão distintas quanto a promessa de punho firme de Espriella e o continuísmo social de Cepeda. A Colômbia observa o relógio, enquanto as ruas sentem a tensão de uma mudança de ciclo ainda indefinida.









