Copenhague, Dinamarca – As presidências da 30ª e 31ª Conferências da ONU sobre Mudanças Climáticas apresentaram, na última semana em Copenhague, uma proposta preliminar para o Acelerador Global de Implementação Climática. A iniciativa, que nasceu em Belém durante a COP30, busca converter debates jurídicos densos em ações práticas e velozes. O objetivo é testar esse modelo de pragmatismo econômico antes da conferência que ocorrerá em Antália, na Turquia, em novembro deste ano.
Representantes de cerca de 40 países analisaram o mecanismo, que funciona de forma voluntária e cooperativa. “A proposta é acelerar soluções, como tecnologias e metodologias, integradas aos planos de aceleração da Agenda de Ação”, explicou Ana Toni, CEO da COP30. O encontro na Dinamarca serviu como um termômetro final para as negociações que antecedem as sessões técnicas em Bonn, na Alemanha.
Combustíveis fósseis e o desafio da implementação
O embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30, reforçou que o conhecimento técnico para limitar o aquecimento global a 1,5°C já existe. O gargalo, contudo, permanece no financiamento e na transferência de tecnologia. Durante o evento, foram discutidas as 444 contribuições recebidas para os Roadmaps internacionais, que visam traçar metas concretas para reduzir o uso de combustíveis fósseis e frear o desmatamento até 2030.
Liliam Chagas, diretora de Clima do Ministério das Relações Exteriores, aponta uma mudança de postura nas negociações internacionais. Segundo ela, o regime climático global vive uma fase de transição: o foco sai das promessas diplomáticas e migra para a execução real dos compromissos. Dez anos após o Acordo de Paris, a pressão agora recai sobre a capacidade dos países em financiar, efetivamente, a transição para uma economia de baixo carbono.










