Rio de Janeiro (RJ) – De 1º a 3 de junho, entre 9h e 14h, os portões da Universidade Santa Úrsula, em Botafogo, na zona sul do Rio, se abrem para uma jornada singular. O Projeto Cavalos Marinhos convida o público ao seu Espaço Educativo, um mergulho no universo desses fascinantes animais, oferecendo inscrições gratuitas para o evento “Cavalos Marinhos de Portas Abertas”.
A iniciativa, que se integra à primeira edição da Rio Nature & Climate Week — um encontro internacional com agenda até 6 de junho para discutir meio ambiente e acelerar políticas públicas —, é fruto de um trabalho contínuo. Há 23 anos, a dedicação do projeto à conservação dos cavalos-marinhos e seus ecossistemas é balizada por rigor técnico-científico. Mais do que isso, busca impulsionar o desenvolvimento econômico sustentável em regiões específicas, alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.
Dentro do Espaço Educativo, aguarda uma imersão completa. Visitantes encontrarão modelos detalhados, uma réplica de manguezal, jogos interativos e até o laboratório do projeto, onde a reprodução de cavalos-marinhos em cativeiro é uma realidade palpável. Ali, é possível observar desde filhotes recém-nascidos até adultos — uma chance genuína de mergulhar no mundo desses seres. Essa experiência mostra um trabalho pioneiro no Brasil: a formação de uma população de segurança da espécie brasileira de focinho longo, com todos os animais geneticamente rastreados.
Mas, por que tanto empenho? Os cavalos-marinhos enfrentam um cenário alarmante, desaparecendo de praias nacionais e globalmente ameaçados de extinção. A destruição de seu habitat, a pesca acidental e a captura para o comércio de aquários são vilões silenciosos. O projeto atua com um sistema de mapeamento genético e reprodução direcionada que permite, se preciso, a reintrodução em ambientes naturais — uma estratégia essencial para a sobrevivência dessas espécies.
O alcance do trabalho vai além do laboratório. O projeto também forma jovens guardiões e capacita mulheres pescadoras, oferecendo-lhes novas perspectivas econômicas. Em São Pedro da Aldeia, por exemplo, um grupo aprendeu a confeccionar biojoias com escamas de peixe, gerando renda alternativa, sobretudo nos períodos de defeso. Em 2024, calcula-se que a ação impactou dois milhões de pessoas, estendendo formações a gestores, educadores ambientais e professores.
Desde sua fundação no Rio, em 2002, o Projeto Cavalos Marinhos expandiu suas pesquisas e monitoramentos. Além das baías de Guanabara, Ilha Grande e Sepetiba, e da Região dos Lagos (Búzios, Arraial do Cabo e Laguna de Araruama), a atuação se estendeu. Em dezembro de 2025, o projeto chegou a Ubatuba (SP), Vitória e Aracruz (ES), marcando uma presença inter-regional. Sua integração à Rede de Conservação Águas da Guanabara (Redagua), em 2019, fortaleceu laços com iniciativas como Coral Vivo e Meros do Brasil, entre outras, todas apoiadas pelo Programa Petrobras Socioambiental.
É no engajamento de pescadores e moradores locais que o projeto encontra seu maior triunfo: pessoas que, apaixonadas pelos animais, voluntariamente os protegem de capturas. Graças a esse apoio comunitário, algumas populações de cavalos-marinhos já mostram sinais de recuperação. Nos últimos dois anos, o monitoramento mensal cobriu seis regiões no Rio, atendeu mais de cem pescadores e capacitou em oficinas dezenas de mulheres, agentes de conservação, jovens e educadores infantis.
Biologistas do projeto trabalham ativamente, analisando genética e comportamento, investigando o impacto da pesca artesanal e definindo áreas cruciais para a conservação desses notáveis seres. Eles desenham, assim, um futuro mais seguro para o cavalo-marinho.












