Brasília (DF) – Nas lavouras brasileiras, o calcário convencional enfrenta dois inimigos persistentes: o vento, que dispersa o pó fino antes que ele toque a terra, e a umidade, capaz de empedrar o produto nos galpões e entupir os maquinários agrícolas. Para resolver esse gargalo histórico, cientistas de Brasília desenvolveram uma tecnologia que altera a estrutura física do insumo, gerando mais eficiência no campo e economia aos produtores.
O projeto nasceu no Laboratório de Nanobiotecnologia da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia. Por meio de uma moagem de alta energia, que reduz a matéria-prima a uma escala molecular, os pesquisadores criaram um produto granulado mais firme e uniforme. A nova forma evita que o vento carregue o mineral e resiste ao transporte sem absorver a água do ambiente.
A inovação vai além da correção da acidez do solo. O insumo transformou-se em uma plataforma de nutrição, funcionando como um fertilizante misto sob medida. Conforme a necessidade de culturas como café, algodão, cana-de-açúcar, milho, soja e pastagens, a fórmula original rica em cálcio e magnésio recebe aportes de boro, cobre, zinco, nitrogênio, fósforo e potássio.
Mais vigor, menos agrotóxicos
O biólogo Luciano Paulino da Silva, pesquisador da estatal, explica que a personalização atende às exigências específicas de cada cultura, impulsionando a produtividade por meio de plantas mais saudáveis. Essa blindagem natural pode diminuir o uso de defensivos agrícolas. É uma lógica simples de imunidade, aponta o pesquisador Andre Felipe Camara Amaral: plantas bem alimentadas combatem pragas com muito mais facilidade.
O corretivo inovador já passou pelas fases de teste laboratorial de 10 gramas e alcançou a escala industrial de toneladas. Os resultados em lavouras experimentais de trigo e soja confirmaram a eficácia na neutralização da acidez e a economia nas operações de campo. A viabilidade do projeto contou com uma parceria de três anos com a mineradora Perical, com plantas em Goiás e Tocantins, que investiu no custeio de equipamentos, insumos e bolsas de estudo para os cientistas.
Criada em 1973 e vinculada ao Ministério da Agricultura e Pecuária, a Embrapa consolida, com essa nova entrega, mais um passo na busca por soluções sustentáveis que protegem tanto o bolso do agricultor quanto o equilíbrio da terra.












