Um levantamento inédito realizado pela Fundação Carlos Chagas (FCC) em parceria com o Ministério da Educação (MEC) revela que 71,7% dos gestores de escolas públicas brasileiras possuem dificuldade em abordar temas como bullying, racismo e capacitismo. A pesquisa, que ouviu 136 responsáveis por unidades de ensino, aponta que a naturalização de agressões como “brincadeiras” é um dos maiores obstáculos para a intervenção efetiva nas instituições.
O coordenador do estudo, Adriano Moro, ressalta que o uso genérico do termo bullying acaba camuflando violências graves, como a xenofobia e o preconceito de gênero. Segundo o especialista, o ambiente escolar frequentemente sofre com a pressão externa de comunidades violentas e a falta de engajamento das famílias, o que sobrecarrega os gestores e os força a atuar de maneira reativa, em vez de implementar estratégias preventivas e colaborativas.
Os dados também mostram que 54,8% das escolas nunca realizaram um diagnóstico estruturado sobre o clima escolar, ferramenta considerada essencial para orientar políticas de convivência. Além da dificuldade de diálogo, 67,9% dos gestores apontam problemas na aproximação com a comunidade, enquanto 64,1% relatam entraves na construção de relacionamentos interpessoais saudáveis entre os estudantes.
Apesar dos desafios, especialistas reforçam que um clima escolar positivo é determinante para o desempenho pedagógico. Quando o aluno se sente acolhido e respeitado, o processo de aprendizagem torna-se mais equitativo e seguro. Para enfrentar esse cenário, o governo federal recriou um grupo de trabalho focado em políticas de combate ao preconceito, com prazo de 120 dias para apresentar propostas concretas de melhoria.













