As exportações brasileiras para os Estados Unidos registraram queda de 11,3% em abril, na comparação com o mesmo período do ano anterior, totalizando US$ 3,121 bilhões. Os dados, divulgados nesta quinta-feira pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, evidenciam os impactos das tarifas impostas pelo governo norte-americano.
Impacto das tarifas no comércio
O resultado marca o nono mês consecutivo de retração nas vendas para o mercado dos Estados Unidos, reflexo da sobretaxa de 50% aplicada pela gestão de Donald Trump em meados de 2025. Embora parte dos produtos brasileiros tenha sido excluída da lista tarifária no final do último ano, o governo estima que cerca de 22% dos itens exportados ainda sofram com tributos adicionais que variam entre 10% e 40%.
Apesar do cenário negativo, o diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior, Herlon Brandão, aponta sinais de uma recuperação gradual. O fluxo comercial superou a marca de US$ 3 bilhões em abril, nível que não era atingido há vários meses, garantindo ao Brasil um superávit de US$ 20 milhões na balança comercial com os norte-americanos.
Crescimento das relações com a China
Na contramão do mercado americano, as vendas brasileiras para a China apresentaram um desempenho expressivo com alta de 32,5% em abril, alcançando US$ 11,610 bilhões. O volume de importações vindas do país asiático também cresceu 20,7%, consolidando um superávit comercial para o Brasil de US$ 5,56 bilhões apenas no quarto mês do ano.
No acumulado de janeiro a abril, o comércio com os chineses segue aquecido com um avanço de 25,4% nas exportações. Esse movimento reafirma a China como um dos principais parceiros estratégicos do país, mantendo um saldo positivo de US$ 11,65 bilhões para a balança comercial brasileira durante o quadrimestre.
Comportamento do setor petrolífero
Sobre a oscilação nas exportações de petróleo bruto, a Secretaria de Comércio Exterior esclareceu que a queda no volume comercializado em 10,6% não está vinculada ao imposto de exportação vigente. O órgão atribui o movimento à volatilidade do mercado internacional, acentuada pelos conflitos no Oriente Médio, que elevaram os preços médios do produto em 23,7%.
A expectativa do governo é de que o setor retome o ritmo nos próximos meses, uma vez que o Brasil mantém alta competitividade graças ao baixo custo de produção. A demanda externa continua robusta, o que sustenta a projeção de que o fluxo de exportações de petróleo apresente novos sinais de crescimento a partir de maio.











