São Paulo (SP) – O mercado financeiro brasileiro vive dias de tensão. Nesta terça-feira (19), o Ibovespa amargou o terceiro pregão consecutivo de perdas, fechando aos 174.279 pontos — uma queda de 1,52% que coloca o índice no patamar mais baixo desde janeiro. O otimismo que, em abril, projetava a marca simbólica dos 200 mil pontos parece agora uma memória distante para os investidores.
A pressão sobre a B3 é multifatorial. Setores de peso, como o financeiro e o de mineração, puxaram a curva para baixo, enquanto o capital estrangeiro mantém um movimento claro de retirada: foram cerca de R$ 9,6 bilhões sacados apenas na primeira metade de maio. Para completar o cenário, o ambiente político doméstico azedou, ganhando contornos de incerteza após movimentações recentes envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e novos desdobramentos de pesquisas eleitorais.
No câmbio, o dólar voltou a romper a barreira dos R$ 5, encerrando o dia cotado a R$ 5,041. A alta de 0,84% reflete um movimento global de aversão ao risco, impulsionado pela subida dos juros nos Estados Unidos e pelo fortalecimento dos Treasuries. Quando o rendimento dos títulos americanos escala, o capital foge de mercados emergentes em busca da segurança do Tesouro dos EUA, deixando o real exposto à volatilidade.
O petróleo, embora tenha registrado um recuo leve no dia, segue como uma variável de risco constante. O barril do tipo Brent fechou a US$ 111,28, mantendo o mercado em alerta sobre as negociações entre Estados Unidos e Irã. A ameaça de interrupção no Estreito de Ormuz e a diplomacia incerta de Donald Trump — que oscila entre a mesa de negociações e a retórica de ação militar — mantêm os investidores com o pé no freio em um cenário global de inflação persistente.










