Rio de Janeiro (RJ) – A lista final dos atletas convocados pelo técnico Carlo Ancelotti para representar a seleção brasileira na Copa do Mundo, anunciada na última segunda-feira (18), no Rio de Janeiro, colocou Neymar novamente no centro de intensos debates. O atacante, que não vestia a camisa da equipe nacional desde outubro de 2023 e enfrentou uma série de lesões durante o ciclo preparatório, figura entre os nomes escolhidos para o torneio.
Para o comentarista Sergio du Bocage, a presença do jogador não chega a ser uma surpresa, mas evidencia uma mudança de perfil no grupo. O jornalista aponta que o elenco atual possui qualidade, mas carece daqueles protagonistas que carregavam o time em edições anteriores. Ele questiona se, em uma lista reduzida a 23 nomes como ocorria antigamente, Neymar teria espaço garantido. Com a ampliação para 26 atletas, a convocação tornou-se uma possibilidade real.
A polêmica sobre o camisa 10
A visão de Bruno Mendes e Marcelo Smigol sobre a escolha de Ancelotti é mais pragmática. Ambos consideram a decisão correta, ainda que por motivos distintos. Mendes ressalta o peso da camisa 10 e o respeito que o jogador impõe no cenário internacional. Já Smigol acredita que deixar o atleta de fora seria um erro estratégico, gerando mais questionamentos caso a equipe não apresentasse bons resultados. Para ele, a convocação serve como um teste necessário para verificar se o atacante, que soma seis gols e quatro assistências em 15 partidas pelo Santos nesta temporada, ainda pode ser útil ao esquema tático.
Nem todos compartilham desse otimismo. Rodrigo Ricardo enxerga a decisão como uma manobra influenciada por fatores extracampo, como pressões comerciais e a própria opinião pública. Para ele, o desempenho do maior artilheiro da história da seleção, com 79 gols em 125 jogos, não justificaria a vaga apenas pelo critério técnico. O jornalista acredita que o treinador preferiu evitar uma controvérsia maior ao incluir o atleta, que atuará como uma peça de experiência no grupo.
Desafios táticos e novas caras
Rachel Motta levanta um ponto crucial sobre o posicionamento em campo. Ela duvida que Neymar atue como titular na organização do meio-campo e aponta um conflito de espaço na ponta esquerda, setor consolidado por Vinícius Júnior. A incógnita permanece: como Ancelotti ajustará o time para acomodar o craque sem comprometer a estrutura que o treinador construiu até aqui?
A lista também trouxe novidades que movimentaram as discussões. A convocação de Rayan, atacante do Bournemouth, foi celebrada por Rodrigo Ricardo como uma aposta acertada pelo momento de ascensão que o jogador vive na Premier League. No gol, Weverton, do Grêmio, garantiu seu lugar após falhas recentes de outros nomes cotados, como Bento e Hugo Souza, que perderam espaço em momentos decisivos.
Ausências e expectativas
O meio-campo também gerou divergências, especialmente com a inclusão de Lucas Paquetá. Enquanto Rodrigo Ricardo vê a convocação com ressalvas devido à queda de rendimento do jogador, outros especialistas, como Rachel Motta, defendem que a experiência do atleta no futebol europeu é um trunfo valioso para compor o banco de reservas. Em contrapartida, a ausência de Pedro, artilheiro do Campeonato Brasileiro, causou frustração. A preferência de Ancelotti por Igor Thiago, do Brentford, indica uma clara inclinação do treinador por nomes adaptados ao estilo de jogo europeu.
Apesar das críticas e dos questionamentos sobre a montagem do grupo, o sentimento geral entre os analistas é de que o Brasil mantém chances reais de brigar pelo título nos Estados Unidos, México e Canadá. O consenso é que, embora não estejamos diante de uma geração considerada espetacular, o conjunto tem material humano suficiente para realizar uma campanha sólida. Agora, resta ao torcedor aguardar a bola rolar para saber se a aposta de Ancelotti será recompensada com a conquista do hexacampeonato.













