Cariacica (ES) – O cinema brasileiro dominou a 13ª edição do Prêmio Platino, realizada em Cancún, no México, com vitórias de O Agente Secreto e Apocalipse nos Trópicos na noite de premiações.
Dirigido por Kleber Mendonça Filho, O Agente Secreto levou quatro estatuetas principais: Melhor Filme, Roteiro, Direção e Ator. A conquista marcou um feito inédito para o país na categoria de atuação masculina, com Wagner Moura vivendo o protagonista. No enredo, o personagem é um professor perseguido pela ditadura militar na década de 1970, uma escolha que dá ao filme um peso histórico, mas também uma tensão dramática que acompanha o espectador do começo ao fim.
A trajetória do longa não ficou restrita às categorias de maior visibilidade. O texto original aponta que a produção já tinha sido premiada antes em áreas técnicas, como Direção de Arte e Montagem, e, na edição do Platino, chegou a oito troféus no total. Esse conjunto de reconhecimentos ajuda a explicar por que o longa se consolidou como um dos trabalhos mais aclamados do cinema ibero-americano recente.
Na mesma cerimônia, Petra Costa conquistou o prêmio de Melhor Documentário com Apocalipse nos Trópicos. O documentário propõe um olhar crítico sobre o governo Bolsonaro e a ascensão da influência evangélica na política nacional. O produtor Brunno Pacini descreveu a obra como uma ferramenta fundamental para transformar traumas em memória, frase que resume a proposta do filme para além do debate político, puxando para o terreno da lembrança e do impacto humano.
A noite também reservou espaço para a televisão brasileira. A produção Beleza Fatal foi eleita a Melhor Série de Longa Duração, e, ao receber o prêmio, a diretora Maria de Médicis fez uma homenagem emocionante ao saudoso Dennis Carvalho. Com isso, as novelas voltam a aparecer como um pilar cultural reconhecido na América Latina, e a pergunta que fica no ar é: quando a premiação migra para outras plataformas e formatos, quem vai continuar puxando esse fio entre memória, narrativa e impacto social?













