Um levantamento realizado pelo Projeto CuidAR, conduzido pelo Hospital Moinhos de Vento em parceria com o Ministério da Saúde, revelou que o uso incorreto de medicamentos está prejudicando a saúde respiratória de milhares de brasileiros. A pesquisa, que analisou cerca de 400 pacientes atendidos em Unidades Básicas de Saúde, apontou que 60% dos adultos asmáticos possuem função pulmonar reduzida devido à dependência exclusiva de broncodilatadores de curta ação, conhecidos popularmente como bombinhas de resgate.
Impactos da medicação defasada
O uso dessas bombinhas, classificadas tecnicamente como SABA, é o único método de controle adotado por mais da metade dos pacientes consultados. De acordo com as diretrizes da Iniciativa Global para Asma, essa prática é insuficiente para o tratamento a longo prazo. Embora proporcionem alívio imediato, os medicamentos apenas mascaram a inflamação nas vias aéreas, elevando o risco de crises graves e até de morte.
O pneumologista pediátrico Paulo Pitrez, responsável técnico pelo estudo, alerta para a gravidade dos resultados observados durante os testes de espirometria. Em grande parte dos adultos e em um terço das crianças avaliadas, a função pulmonar não retornou aos níveis normais mesmo após o uso da medicação. Esse cenário indica que, devido à persistência de um tratamento inadequado ao longo dos anos, muitos pacientes já apresentam danos irreversíveis nos pulmões.
Prejuízos sociais e produtividade
A asma afeta cerca de 20 milhões de brasileiros e gera um impacto significativo no cotidiano da população. Dados da pesquisa mostram que 60% dos pacientes perderam dias de trabalho ou estudo no último ano. O absenteísmo é ainda mais crítico entre os jovens, atingindo 80% das crianças e adolescentes, enquanto metade dos adultos relata dificuldades em manter suas atividades produtivas por causa da doença.
A fragilidade no controle da asma reflete nos números de atendimento de urgência. Aproximadamente 70% dos participantes da pesquisa relataram ter sofrido ao menos três crises recentes, sendo que quase metade necessitou de socorro hospitalar. O agravamento do quadro clínico, que resulta em uma média de seis mortes diárias no Brasil, reforça a urgência de uma mudança nas estratégias de assistência oferecidas pelo Sistema Único de Saúde.
Novas estratégias de controle
Para reverter esse cenário, o Projeto CuidAR defende a substituição de métodos obsoletos por abordagens que combinem broncodilatadores de longa ação com anti-inflamatórios inalatórios. Além da atualização dos protocolos farmacológicos, a iniciativa propõe a adoção do dispositivo Peak Flow nas unidades de saúde. Por ser um equipamento de fácil manuseio e custo reduzido, estimado em R$ 200, ele surge como uma alternativa viável e eficiente para monitorar a capacidade respiratória em comparação à espirometria tradicional.












