Rio de Janeiro (RJ) – Quatro municípios da região metropolitana do Rio de Janeiro iniciaram uma força-tarefa para conter o avanço da doença meningocócica entre jovens e adolescentes. Residentes no Rio de Janeiro, Belford Roxo, Duque de Caxias e Nova Iguaçu com até 24 anos já podem procurar as unidades básicas de saúde para receber a vacina ACWY. A mobilização, que conta com um estoque de 400 mil doses enviadas pelo Ministério da Saúde, permanece ativa até o próximo dia 31 de setembro.
A estratégia foca em um contingente populacional que, por diferentes razões, acabou perdendo o prazo da vacinação na idade recomendada. O problema ganhou força durante os anos da pandemia de Covid-19, quando a cobertura vacinal sofreu quedas expressivas. Como os adolescentes e jovens adultos são os principais portadores da bactéria na região da garganta, o aumento da imunização nessa faixa etária é visto como um movimento estratégico para reduzir a circulação do agente causador da doença e proteger, por tabela, toda a comunidade.
Os registros epidemiológicos do Sistema Nacional de Agravos de Notificação mostram um cenário que exige atenção. Foram 70 casos notificados em 2024, saltando para 95 em 2025. Até setembro de 2026, o Sinan já contabilizou 49 ocorrências no estado. Para participar da campanha, o interessado deve apresentar um documento de identidade e, se tiver, o cartão de vacinação. O imunizante é aplicado em dose única para quem tem a partir de 11 anos. Quem já possui o esquema vacinal da ACWY completo não precisa se vacinar novamente.
A vacina meningocócica ACWY é peça central do Calendário Nacional de Vacinação desde 2020 e, desde julho de 2025, passou a integrar também o esquema de reforço para bebês de 12 meses, ocupando o lugar da vacina meningocócica C. Especialistas reforçam que a imunização é um procedimento seguro e fundamental para o controle do agravo. Silvia Carvalho, subsecretária de Vigilância Epidemiológica e Atenção Primária à Saúde da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro, orienta que responsáveis e jovens busquem o imunizante o quanto antes.
A meningite exige diagnóstico rápido devido à velocidade com que o quadro clínico pode evoluir. Os sintomas clássicos incluem febre alta, dores de cabeça intensas, náuseas, vômitos e uma característica rigidez na nuca, onde o paciente apresenta dificuldade de encostar o queixo no peito. Em situações mais graves, podem surgir manchas vermelhas ou arroxeadas pelo corpo, além de fotossensibilidade e episódios de convulsão. No caso de bebês, os sinais costumam ser mais sutis, manifestando-se por irritabilidade excessiva, recusa alimentar, moleira abaulada e letargia, exigindo pronto atendimento médico.













