São Paulo (SP) – O monitoramento do cacique Raoni Metuktire exigiu um recuo estratégico na sua rotina de recuperação. Aos 93 anos, a liderança indígena precisou retornar, nesta quarta-feira, 1º de julho, para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital São Paulo, ligado à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). O boletim emitido pela equipe médica responsável pelo tratamento indica que o paciente se encontra consciente, sem episódios de febre e mantendo a respiração de forma totalmente espontânea, sem a necessidade de suporte de aparelhos para oxigenação.
A nova transferência para o ambiente de terapia intensiva foi motivada por complicações clínicas agudas registradas no dia anterior. Na terça-feira, 30 de junho, Raoni apresentou um quadro de hemorragia digestiva. Diante da gravidade potencial do sintoma, os médicos realizaram uma endoscopia de urgência e aplicaram os procedimentos terapêuticos necessários para estancar e controlar o sangramento de forma definitiva. Durante a avaliação subsequente, os profissionais de saúde também detectaram uma retenção de líquidos localizada na região do pulmão direito. A equipe realizou uma drenagem torácica para aliviar a área afetada, um procedimento que transcorreu de maneira segura e sem qualquer tipo de intercorrência técnica.
A complexa trajetória do tratamento médico
O restabelecimento da saúde do cacique tem sido um processo complexo que se estende por mais de duas semanas e mobiliza diferentes estruturas hospitalares. A crise médica inicial teve início no dia 15 de junho, no Mato Grosso. Na ocasião, Raoni deu entrada em estado considerado grave no Hospital e Maternidade Dois Pinheiros, situado no município de Sinop. Após passar por um período crítico de quatro dias sob cuidados intensivos para estabilização de suas funções vitais em solo mato-grossense, os médicos viabilizaram a transferência do líder para a capital paulista.
Desde o desembarque em São Paulo, ocorrido no dia 19 de junho, o paciente recebe assistência médica focada nas especificidades da saúde indígena dentro do complexo hospitalar da Unifesp. O diagnóstico inicial obtido na chegada ao hospital paulistano apontava para uma associação delicada entre uma obstrução intestinal alta e um quadro de pneumonia aspirativa. A gravidade da obstrução exigiu uma intervenção cirúrgica de urgência no trato intestinal, realizada no dia 20 de junho. Desde então, o paciente vinha apresentando uma evolução no pós-operatório, que acabou sendo temporariamente interrompida pelos episódios de sangramento e acúmulo de líquido pulmonar desta semana.
Vigilância contínua na unidade intensiva
A permanência do líder indígena na UTI reflete a cautela necessária diante de um paciente de idade avançada que enfrentou uma cirurgia de grande porte e episódios hemorrágicos em curto espaço de tempo. Os médicos mantêm uma vigilância rigorosa para evitar novos retrocessos, enquanto o organismo do cacique reage aos tratamentos aplicados nos últimos dias. A prioridade atual da equipe é garantir a estabilidade hemodinâmica obtida após os procedimentos de drenagem e endoscopia, permitindo que a recuperação intestinal iniciada na semana passada continue sem novas interrupções que possam comprometer seu quadro geral.












