Ibatiba (ES) – Agosto é conhecido por registrar alguns dos menores índices de umidade do ar em diversas regiões do Brasil. O clima seco costuma provocar irritação nos olhos, nariz e garganta, mas poucas mulheres sabem que esse “efeito deserto” também pode atingir a região íntima. A baixa umidade agrava o ressecamento das mucosas, potencializando sintomas como ardência, coceira, dor durante a relação sexual e até aumentando a predisposição a infecções urinárias e vaginais.
O problema é ainda mais frequente entre mulheres na menopausa, devido à redução dos níveis de estrogênio, e também durante o período de amamentação, tema que ganha destaque no Agosto Dourado, campanha dedicada ao incentivo ao aleitamento materno. Nessa fase, alterações hormonais naturais também favorecem o ressecamento vaginal, comprometendo o conforto e a qualidade de vida.
Segundo a ginecologista e obstetra Dra. Carolina Orlandi, fatores climáticos e hormonais atuam em conjunto, tornando agosto um período em que muitas pacientes procuram atendimento por apresentarem piora dos sintomas.
“A mucosa vaginal depende de hidratação adequada e da ação dos hormônios para permanecer saudável. Durante os meses mais secos, essa região também sofre com a baixa umidade do ambiente. Quando isso se soma à queda do estrogênio, como acontece na menopausa ou durante a amamentação, os sintomas costumam se intensificar de forma significativa”, explica.
Além da sensação constante de ressecamento, a diminuição da lubrificação natural pode provocar pequenas fissuras na mucosa vaginal, favorecendo dor nas relações sexuais, desconforto diário e alterações na flora vaginal.
“Muitas mulheres acreditam que sentir dor durante a relação sexual ou desconforto íntimo faz parte da idade ou do pós-parto, mas isso não é normal. São sinais de que a saúde da mucosa vaginal merece atenção e pode ser tratada de maneira eficaz”, afirma a especialista.
Nos últimos anos, a ginecologia regenerativa passou a oferecer alternativas modernas para restaurar a saúde íntima sem depender exclusivamente da terapia hormonal. Entre os tratamentos que mais evoluíram está o Laser de CO₂ Fracionado, além da radiofrequência íntima.
Essas tecnologias promovem pequenos estímulos controlados no tecido vaginal, desencadeando um processo natural de regeneração que aumenta a produção de colágeno, melhora a vascularização local e estimula a recuperação da mucosa.
“O Laser de CO₂ promove uma renovação do tecido vaginal. Ele estimula a formação de novas fibras de colágeno, melhora a elasticidade, aumenta a hidratação natural da mucosa e favorece a recuperação da qualidade do tecido. Como consequência, muitas pacientes relatam melhora importante da lubrificação, redução da dor durante a relação sexual e maior conforto no dia a dia”, explica Dra. Carolina Orlandi.
Outro benefício é que a recuperação da mucosa fortalece a barreira de proteção natural da vagina, reduzindo episódios recorrentes de infecções.
“Quando a mucosa está saudável, ela consegue manter melhor o equilíbrio da microbiota vaginal. Isso diminui o risco de infecções de repetição, além de proporcionar mais proteção contra pequenas lesões causadas pelo ressecamento”, destaca.
O tratamento costuma ser realizado em consultório, sem necessidade de internação ou afastamento prolongado das atividades. A quantidade de sessões varia conforme a intensidade dos sintomas e as características de cada paciente.
“A avaliação individual é fundamental. Nem toda mulher apresenta o mesmo grau de ressecamento ou necessita da mesma abordagem terapêutica. O tratamento deve ser personalizado para alcançar os melhores resultados com segurança”, ressalta.
A especialista reforça que, embora a menopausa seja a principal causa da atrofia vaginal, mulheres mais jovens também podem desenvolver o problema durante a amamentação, após tratamentos oncológicos, uso de determinados medicamentos ou em decorrência de alterações hormonais.
“O mais importante é entender que existe tratamento. Hoje conseguimos melhorar significativamente a qualidade de vida dessas mulheres utilizando recursos modernos da ginecologia regenerativa, muitas vezes sem a necessidade de hormônios, sempre respeitando a indicação clínica de cada paciente”, conclui Dra. Carolina Orlandi.
Sobre a especialista
Dra. Carolina Orlandi é ginecologista e obstetra, com atuação voltada para saúde íntima feminina, menopausa, ginecologia regenerativa e tecnologias aplicadas ao rejuvenescimento vaginal. Atua no diagnóstico e tratamento do ressecamento íntimo, atrofia vaginal, dor durante a relação sexual e alterações da saúde genital, utilizando abordagens individualizadas e recursos modernos, como o Laser de CO₂ Fracionado e a radiofrequência, com foco na qualidade de vida e no bem-estar da mulher.











