Ibatiba (ES) – O sistema prisional do Espírito Santo inaugurou nesta quinta-feira, 14 de novembro, uma iniciativa pioneira voltada à ressocialização de detentos. Trata-se do primeiro curso de robótica oferecido a pessoas privadas de liberdade no estado, fruto de uma parceria estratégica entre a Secretaria da Justiça (Sejus) e o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo (Ifes). O projeto atenderá 42 internos, divididos em três turmas distintas, com o intuito de utilizar a tecnologia como ponte para a reintegração social.
A capacitação está atrelada à pesquisa de doutorado do professor Fábio Ventorim Siqueira, intitulada Recompilando o Futuro. O estudo investiga como o ensino de robótica e a consciência ambiental podem atuar como motores de transformação dentro das unidades prisionais. A Gerência de Educação da Sejus (GERED) coordena a articulação pedagógica, focando no desenvolvimento humano e na qualificação técnica necessária para a futura inserção desses indivíduos no mercado de trabalho.
Objetivos pedagógicos e sociais
Silvia Garcia, gerente de educação da Sejus, aponta que o aprendizado vai muito além da montagem de peças ou da escrita de códigos. O curso estimula competências essenciais, como a disciplina, o trabalho em equipe, a capacidade de concentração e a lógica para resolver problemas complexos. A ideia central é permitir que os participantes desenhem novos projetos de vida a partir do contato com a inovação e o conhecimento técnico.
Para Nelson Merçon, a proposta reforça o compromisso da administração prisional em acreditar no poder transformador da educação. Ao despertar talentos ocultos atrás das grades, o estado sinaliza que a tecnologia pode ser uma aliada na construção de caminhos mais sólidos e dignos para quem busca uma segunda chance na sociedade.
Metodologia e prática
O cronograma do curso prevê 48 horas de aulas distribuídas de segunda a sexta-feira. O conteúdo programático é dividido em etapas, começando pela discussão sobre os impactos ambientais do lixo e como a tecnologia pode oferecer soluções práticas para o reaproveitamento de materiais. O professor Fábio Ventorim Siqueira explica que os alunos utilizarão a ferramenta Scratch, uma linguagem de programação visual baseada em blocos que simplifica o entendimento para iniciantes.
Na prática, os estudantes aprenderão a manipular componentes eletrônicos como LEDs, motores e sensores, inclusive via Bluetooth. O desafio final consiste na construção de um protótipo de veículo controlado remotamente. Para isso, utilizarão materiais recicláveis como canos de PVC, raios de bicicleta e componentes eletrônicos reaproveitados. O objetivo não é formar especialistas em engenharia, mas abrir janelas de oportunidade para que os alunos percebam o próprio potencial criativo e a capacidade de transformar resíduos em soluções tecnológicas úteis.












