Guarapari (ES) – As linhas de montagem brasileiras operam em um ritmo que não se via há cinco anos. Em maio, as fábricas entregaram 253,5 mil veículos, um salto de 15,2% frente ao mesmo período de 2025. Esse desempenho não é um evento isolado, mas parte de um movimento que já soma 1,1 milhão de unidades produzidas nos primeiros cinco meses de 2026, consolidando uma expansão de 7,1% no comparativo anual.
O fôlego da indústria vem, em grande parte, das concessionárias. As vendas de automóveis dispararam 21,5%, beneficiadas pelo programa Carro Sustentável, que deu novo gás aos modelos de entrada. O segmento de comerciais leves — que engloba picapes, vans e furgões — acompanhou a tendência, com alta de 7,7%. Contudo, o cenário é de contraste: caminhões e ônibus amargam quedas de 15,1% e 16,3%, respectivamente. A aposta agora recai sobre o programa Move Brasil 2, na tentativa de reverter esse freio nos veículos pesados.
No varejo, maio marcou um recorde de média diária de vendas: 13,7 mil autoveículos emplacados. Esse volume não era registrado desde dezembro de 2014. O saldo total do mês chegou a 274,7 mil unidades, um incremento de 21,7% sobre maio de 2025. No acumulado do ano, o mercado já superou a barreira de 1,1 milhão de veículos vendidos, um avanço de 16,4% que antecipa em um mês o marco alcançado no ano anterior.
A ascensão dos eletrificados
Uma mudança silenciosa ganha contornos mais nítidos nas estatísticas: a relevância dos eletrificados. O nicho, que representava 10,6% do mercado em junho de 2025, saltou para 19,5% em maio. A demanda por elétricos puros atingiu o ápice com 21 mil unidades, enquanto a somatória de híbridos e modelos plug-in alcançou 30,7 mil. Enquanto o consumo interno celebra, a indústria observa com cautela a escalada nos preços globais dos combustíveis, fator que pressiona os custos e acende um alerta sobre a inflação e a velocidade da queda dos juros básicos.
O novo mapa das exportações e importações
Se dentro das fronteiras o setor acelera, o horizonte internacional traz desafios. As exportações enfrentam um declínio severo, especialmente entre os vizinhos sul-americanos. A Argentina, principal destino, reduziu as compras em 33,3%, totalizando 89,6 mil unidades. O Chile e o Uruguai também fecharam a porta para volumes significativos, com retrações de 19,6% e 34,5%. A exceção positiva foi a Colômbia, com um crescimento de 14,5% nas importações de produtos brasileiros.
Por outro lado, o Brasil tem se tornado um destino preferencial para o mercado global. A China assumiu a liderança como maior fornecedora, enviando 108,4 mil veículos ao país entre janeiro e maio — uma explosão de 86,6% em relação ao ano passado. Em contrapartida, a fatia argentina no mercado interno encolheu 16,8%. O resultado é que os veículos importados já somam 223 mil unidades neste ano, consolidando uma alta de 17,4% que coloca pressão direta sobre a produção nacional.











