Brasília (DF) – O cenário para quem busca suporte diante de prejuízos na colheita mudou. O Conselho Monetário Nacional (CMN) determinou, nesta quinta-feira (25), que a partir de 1º de julho de 2026 o pedido de indenização pelo Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) exigirá, obrigatoriamente, o uso de fotografias com georreferenciamento. A intenção é eliminar qualquer sombra de dúvida sobre a origem das imagens, garantindo que o registro visual corresponda exatamente ao ponto exato onde a perda ocorreu.
A iniciativa, que ganhou força após o impacto das enchentes no Rio Grande do Sul em 2024, busca trazer mais rigor técnico ao sistema de vistoria. Ao incorporar coordenadas de GPS diretamente aos arquivos digitais, o setor ganha um mecanismo de controle mais transparente, reduzindo vulnerabilidades nas solicitações de cobertura. Não se trata apenas de burocracia, mas de um filtro que visa assegurar a integridade do maior programa público de seguro rural do país.
Ajustes nas indenizações
Além da exigência tecnológica, outro ponto de inflexão nas novas normas envolve o cálculo das compensações. Em situações de danos severos à produção, o valor da indenização passará a descontar o montante que efetivamente foi colhido. Essa manobra é vista como essencial para equilibrar as contas do Proagro, um fundo financiado pelo esforço conjunto da União, pela participação financeira dos produtores e pelo rendimento dos adicionais arrecadados desde a sua criação, em 1973.
Custo e risco
Apesar do aumento no rigor, há uma notícia positiva no horizonte financeiro dos agricultores. O monitoramento mais próximo tem reduzido o perfil de risco geral do programa. Essa melhora permitiu que o CMN revisasse as alíquotas de equilíbrio — que medem o risco de quebra de safra conforme a cultura e a região — e as taxas adicionais, resultando em uma redução do custo médio do seguro para boa parte dos produtores brasileiros.
Os valores das indenizações também passaram por um ajuste fino. O objetivo é que o montante pago reflita com mais precisão a realidade de cada região e a vulnerabilidade específica de cada tipo de cultura. Para o campo, a mudança sinaliza uma busca por sustentabilidade de longo prazo: ao tornar o programa mais previsível, o governo tenta manter o Proagro como uma rede de proteção robusta, evitando que o custo do seguro se torne um peso insustentável para a manutenção da atividade agropecuária no Brasil.










