La Guaira, Venezuela – O cenário na Venezuela amanheceu desolador nesta quinta-feira, 25 de outubro. Após dois tremores de terra atingirem o país na quarta-feira, 24, as autoridades locais confirmaram a morte de 188 pessoas. O número de desaparecidos, no entanto, causa ainda mais apreensão: são mais de 1,5 mil indivíduos cujo paradeiro permanece desconhecido. O presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, apresentou o balanço inicial que traduz a dimensão da tragédia que varreu o cotidiano da nação.
La Guaira, região estratégica que abriga o principal aeroporto do país próximo a Caracas, figura como o epicentro da devastação. Com o evento sísmico ocorrendo durante um feriado nacional, a maioria da população estava em casa, o que, infelizmente, eleva o temor de que o saldo de vítimas fatais suba nas próximas horas. Um painel mantido pela oposição para catalogar desaparecidos já acumula mais de 40 mil registros, um reflexo do desespero das famílias que ainda não conseguiram estabelecer contato com entes queridos.
Ao menos 346 estruturas, incluindo hospitais e centros comerciais, sofreram avarias severas. A Cruz Vermelha teve sua sede comprometida, mas manteve o envio de socorristas. Até a embaixada da França foi atingida. Em um gesto de contingência, o governo suspendeu as aulas até o domingo e determinou o fechamento da bolsa de valores local, que agora servirá de base operacional para as equipes de resgate.
A Organização das Nações Unidas (ONU) confirmou a segurança de seu staff no país, cerca de 100 profissionais, e garantiu que trabalha intensamente para mitigar a crise. Enquanto isso, o Papa Leão XIV anunciou uma doação de 100 mil euros, aproximadamente R$ 600 mil, para o auxílio imediato às vítimas, canalizados pelo escritório de caridade do Vaticano.
O panorama humanitário provocou uma rara trégua política internacional. Delcy Rodríguez, presidente interina, confirmou que aceitou a oferta de auxílio de diversos governos, citando especificamente o apoio de Vladimir Putin, da Rússia, e de Donald Trump, dos Estados Unidos. O governo americano já iniciou a mobilização de recursos logísticos destinados ao aeroporto de Caracas, com apoio do Pentágono.
O Brasil também se posicionou. Durante agenda em Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul, o presidente Lula afirmou ter conversado por telefone com a presidente venezuelana. A oferta brasileira inclui equipes da Defesa Civil, bombeiros, além do envio imediato de água, mantimentos e insumos hospitalares. O ministro Alexandre Padilha informou que a Organização Pan-Americana da Saúde foi acionada para coordenar o suporte logístico.
A instabilidade nas telecomunicações, agravada por restrições de acesso às redes sociais, tem sido um entrave crítico para o resgate. A missão de direitos humanos da ONU solicitou a liberação total desses serviços, tratando a conectividade como um elemento de sobrevivência diante da crise. Enquanto isso, em Morón, o Complexo Petroquímico — o segundo maior do país — retomou suas atividades nesta quinta-feira após uma breve paralisação por precaução devido a danos na infraestrutura. Pequiven e PDVSA permanecem em silêncio, mas gigantes como Chevron, Shell, Eni e Repsol confirmaram que todas as suas equipes estão seguras.






