Brasília (DF) – O governo federal oficializou nesta terça-feira (30) o novo Plano Safra para a agricultura familiar, movimentando um volume recorde de R$ 85,2 bilhões em crédito. O montante representa um incremento de 9% em relação ao ciclo anterior, marcando uma trajetória de expansão na oferta de recursos para o setor. A ministra do Desenvolvimento Agrário, Fernanda Machiaveli, reforçou, em entrevista na manhã desta quarta-feira (1º), que o diferencial desta edição não reside apenas no montante financeiro, mas na redução das taxas de juros para incentivar práticas sustentáveis.
A política busca agora estimular a produção de alimentos com taxas de juros a partir de 2% ao ano, caindo para 1% para produtores que adotam métodos agroecológicos. A estratégia é acompanhada por um pacote de assistência técnica estruturado para assegurar que a agricultura familiar migre para o uso de insumos biológicos e adote técnicas de manejo que preservem os recursos naturais.
O desafio de interiorizar o crédito é uma das metas da pasta. Em 2023, o volume de R$ 53 bilhões estava concentrado majoritariamente no Sul do país. A atual gestão trabalha para equilibrar essa distribuição, facilitando o acesso ao Pronaf em regiões historicamente desassistidas, como o Norte e o Nordeste. Para a ministra, o objetivo é garantir que as condições facilitadas alcancem quem mais precisa de suporte para a produção.
Diante do cenário de instabilidade climática, a segurança dos produtores foi reforçada através de mecanismos como o Pró-Agro e o Garantia Safra, este último destinado a agricultores de subsistência no semiárido. O governo reconhece que a atividade agrícola, inerentemente arriscada, tornou-se ainda mais vulnerável com as mudanças nos padrões meteorológicos previstos para este ano.
Um passo concreto nessa frente de proteção foi a publicação, na última terça-feira (30), de um edital de R$ 413 milhões voltado à adaptação climática no semiárido. O investimento prevê o repasse de R$ 8 mil por família, alcançando um total de 60 mil beneficiários. O recurso pode ser aplicado em tecnologias essenciais, como a instalação de cisternas, sistemas de energia solar, projetos de irrigação e a estruturação de quintais produtivos.
Além disso, o programa Mais Alimentos oferece linhas de crédito específicas para bioeconomia e tecnificação, permitindo o financiamento de sistemas de irrigação com taxas entre 1,5% e 2% ao ano. O intuito é equipar os agricultores familiares para que consigam manter sua capacidade produtiva mesmo sob condições severas de estiagem.
A transição ecológica desenhada para este Plano Safra não se restringe apenas ao crédito, mas abrange um ciclo de acompanhamento que inclui formação e suporte técnico contínuo. A expectativa oficial é que, ao baratear o custo do dinheiro para quem produz de forma responsável, o país consiga fortalecer sua segurança alimentar sem comprometer o equilíbrio ambiental.












