Vila Velha (ES) – A economia brasileira registrou uma desaceleração no segundo trimestre de 2026, com um avanço de 0,3% em relação aos três meses anteriores. Os dados, que compõem o Monitor do PIB elaborado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), revelam um cenário de perda de tração após o crescimento de 1% observado no primeiro trimestre do ano. Apesar desse esfriamento, o indicador marcou o vigésimo resultado positivo consecutivo para o país, acumulando uma alta de 1,8% nos últimos doze meses.
O desempenho recente foi influenciado por um recuo de 1,1% na atividade econômica durante a passagem de maio para junho. O levantamento do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV detalha que a desaceleração atingiu de forma abrangente os três pilares da economia: agropecuária, indústria e serviços. A exceção notável foi o comportamento do consumo das famílias, que manteve o ritmo observado no início de 2026, sustentado essencialmente pela demanda por produtos duráveis e pelo setor de serviços.
Juliana Trece, coordenadora da pesquisa, pondera que manter resultados positivos em um ambiente de tensões externas e internas é um desafio constante. Entre os fatores de pressão macroeconômica, a economista destaca o impacto da guerra no Oriente Médio sobre o preço internacional do barril de petróleo, o nível elevado de endividamento dos brasileiros e as taxas de juros mantidas em patamares restritivos. Embora o Comitê de Política Monetária tenha reduzido a Selic para 14% ao ano em agosto, o custo do crédito continua a desestimular investimentos produtivos e a frear o consumo.
Os componentes do Monitor do PIB indicam que, entre abril e junho, o consumo das famílias apresentou uma expansão de 2,6% ante o primeiro trimestre. No mesmo intervalo, as exportações cresceram 4,5% e as importações registraram alta de 5,7%. A taxa de investimento na economia brasileira foi estimada em 18,5% em maio, apresentando uma leve oscilação frente aos 18,6% apurados nos três meses anteriores. Em valores correntes, a estimativa para o PIB acumulado no primeiro semestre alcançou R$ 6,557 trilhões.
Este levantamento da FGV atua como um termômetro da conjuntura nacional e dialoga com outros indicadores, como o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que reportou uma queda de 0,6% em junho, mas projeta um crescimento de 0,2% na comparação trimestral. A expectativa oficial do mercado financeiro, refletida no relatório Focus, aponta para um fechamento de ano com alta de 1,98%, enquanto o Ministério da Fazenda mantém uma projeção de 2,3% para o PIB de 2026.
Para o retrato definitivo desse período, o mercado aguarda o pronunciamento oficial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), responsável pela divulgação dos números do Produto Interno Bruto. A publicação dos dados consolidados pelo órgão está prevista para o dia 1º de setembro, pondo fim à expectativa em torno da confirmação do ritmo de crescimento do país no primeiro semestre.











