Brasília (DF) – A partir desta quinta-feira, 1º de outubro, o cenário dos pagamentos instantâneos ganha uma mudança relevante com a remoção do teto específico de R$ 500 por transação na modalidade Pix por aproximação. A alteração, definida pela Instrução Normativa BCB nº 746, permite que os clientes negociem novos patamares de limites com suas instituições financeiras, adaptando os valores à realidade de cada perfil de consumo.
É importante pontuar que o fim do limite fixo não significa um cheque em branco para movimentações ilimitadas. O valor máximo permitido para cada operação passa a ser regido pelas configurações de segurança da própria conta bancária. Na prática, a autonomia para aumentar ou reduzir esses limites deve ser exercida pelo próprio usuário, através das ferramentas de gerenciamento disponibilizadas pelos aplicativos das instituições.
A medida abrange não apenas a aproximação, mas também outras formas de início de pagamento, como o Código QR e a jornada sem redirecionamento, conhecida pela sigla JSR, ligada ao Open Finance. A lógica operacional segue inalterada: o cliente deve acessar a área de limites no app do seu banco, solicitar o ajuste e cumprir as etapas de autenticação exigidas para validar a nova margem de segurança.
A tecnologia por trás dessa modalidade é o NFC, que viabiliza a comunicação entre o smartphone e as máquinas de cartão sem a necessidade de digitação de dados. Disponível desde fevereiro de 2025, o recurso permite que carteiras digitais compatíveis atuem como intermediárias, desde que a conta corrente tenha sido devidamente vinculada ao serviço de pagamento por aproximação.
Com a possibilidade de realizar transações que superem os R$ 500, especialistas recomendam redobrar os cuidados com a segurança digital. Como a tecnologia de aproximação pode concluir processos de maneira célere — por vezes sem a obrigatoriedade de abrir o aplicativo bancário —, a conferência minuciosa do valor exibido na maquininha antes de qualquer confirmação torna-se o principal filtro de proteção do consumidor.
Manter o bloqueio de tela ativo e evitar a entrega do aparelho desbloqueado a terceiros são recomendações que ganham peso extra com a nova flexibilidade. O monitoramento das notificações enviadas pelo banco após cada operação também é uma prática recomendada para identificar eventuais movimentações anômalas no histórico financeiro.
Embora o Pix tenha se consolidado como a engrenagem central do sistema financeiro nacional — registrando, apenas em agosto, a marca de 8,11 bilhões de transações e um volume superior a R$ 3,73 trilhões —, a modalidade por aproximação ainda busca espaço. Em agosto, o segmento contabilizou 2 milhões de operações, o que equivale a 0,06% do montante total processado pelo sistema. Apesar da fatia ainda tímida, o setor observa uma curva ascendente, registrando quase o dobro das transações que somou em janeiro deste ano.













