Brasília (DF) – O Palácio do Planalto oficializou nesta terça-feira, dia 13, um conjunto de cinco medidas estratégicas voltadas aos microempreendedores individuais. O plano busca oxigenar o segmento por meio do alívio financeiro, da simplificação das normas tributárias e do estímulo ao investimento produtivo, tentando reverter o ciclo de endividamento que trava o crescimento de milhões de pequenos negócios no país.
A iniciativa de maior impacto é o projeto de lei complementar enviado ao Congresso Nacional que propõe o perdão das dívidas acumuladas pelos MEIs junto ao governo federal. A estimativa oficial é que essa anistia atinja cerca de 3,6 milhões de empreendedores, abrangendo um passivo total de R$ 12,6 bilhões. Ao defender a proposta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou que o acúmulo de obrigações tributárias funcionava como uma barreira intransponível para o acesso ao crédito bancário e à expansão das atividades comerciais.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, detalhou que a aprovação do texto permitirá encerrar cobranças administrativas e ações judiciais, limpando o nome dos beneficiários perante o Poder Público. Paralelamente, o governo pretende atacar o endividamento privado — estimado em R$ 6 bilhões — por meio do programa Desenrola 3.0. A estratégia envolve a compra de débitos bancários mediante editais que exigem descontos de, no mínimo, 90% por parte das instituições financeiras credoras.
Para fomentar o investimento direto, o pacote institui o Pix MEI. Trata-se de um mecanismo de repasse financeiro que prevê até R$ 5 mil para que o empreendedor adquira novos equipamentos ou modernize seu negócio. O ministro do Empreendedorismo, Paulo Henrique Rodrigues Pereira, garantiu que a verba não se configura como empréstimo, sendo acompanhada por um processo de mentoria para auxiliar na estruturação dos projetos produtivos.
A estrutura de enquadramento da categoria também passará por uma atualização aguardada há oito anos. O projeto de lei submetido aos parlamentares propõe um reajuste escalonado no teto de faturamento anual, elevando o limite para R$ 110 mil já no próximo ano e para R$ 140 mil em 2028. A intenção governamental é evitar que o empreendedor precise frear sua produção para não ultrapassar a barreira atual, além de abrir caminho para que o MEI possa contratar um segundo funcionário.
Por fim, uma nova norma foi editada para encerrar discussões jurídicas sobre a emissão de documentos fiscais. O decreto estabelece que não há obrigatoriedade de emissão de nota fiscal em transações comerciais realizadas com pessoas físicas. A medida pretende trazer segurança jurídica aos microempreendedores, incluindo aqueles enquadrados na faixa de nanoMEI, que possuem rendimentos de até metade do teto vigente.
Durante a cerimônia de apresentação, o presidente destacou que as propostas nasceram de um diálogo direto com os representantes do setor. Lula reforçou que o objetivo central é garantir condições reais para que o empreendedorismo brasileiro seja um vetor de melhoria de renda e mobilidade social, reiterando que o desenvolvimento deve ser acessível a todos.











