Brasília (DF) – Às vésperas do pleito de outubro, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) divulgou uma série de diretrizes voltadas aos postulantes a cargos nos Poderes Executivo e Legislativo. O material, intitulado Agenda estratégica para agricultura do Brasil: contribuições de pesquisa e inovação, reúne um conjunto de recomendações técnicas formuladas para orientar a construção de planos de governo e a elaboração de futuras legislações voltadas ao setor.
A iniciativa, que já está disponível para consulta pública, defende a estabilidade e o incremento dos aportes financeiros em ciência, tecnologia e inclusão socioprodutiva. A lógica apresentada pelos especialistas reforça que o agronegócio não atua de forma isolada, mas como um eixo central da economia nacional, impactando diretamente a segurança alimentar, a adaptação climática e o desenvolvimento regional.
Os números apresentados pela instituição ilustram a magnitude do setor: o Produto Interno Bruto (PIB) do agro atingiu R$ 3,2 trilhões em 2025, o que equivale a um quarto de toda a riqueza produzida no país. O peso das exportações é igualmente expressivo, tendo alcançado US$ 169,2 bilhões — aproximadamente R$ 900 bilhões — no ano anterior, marca que representa quase metade de todas as vendas externas brasileiras. Além disso, o campo sustentava 28,4 milhões de postos de trabalho em 2024.
Para os técnicos, o retorno social de cada real aplicado na Embrapa é um dado determinante, calculado em R$ 27,12 para a sociedade. Essa eficiência é justificada pelo desenvolvimento de tecnologias como o melhoramento genético de sementes, capazes de elevar a resiliência das lavouras frente a crises hídricas, altas temperaturas e outros desafios ambientais.
O roteiro da Embrapa elege seis eixos prioritários: segurança alimentar e nutricional; agricultura sustentável diante das mudanças climáticas; bioeconomia; transição energética; desenvolvimento territorial e inclusão no meio rural; e a digitalização do campo. O documento argumenta que a falha em investir continuamente nessas frentes deixa o Brasil mais exposto a choques sanitários, geopolíticos e climáticos, além de perpetuar a dependência de insumos vindos de fora.
A necessidade de uma transição para modelos de baixa emissão de carbono é um ponto central da proposta. Com base em projeções do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a Embrapa alerta que a inércia em combater as mudanças do clima pode representar um prejuízo de R$ 17,1 trilhões à economia até 2050. Em contrapartida, o investimento em bioenergia, biogás, biometano e bioinsumos surge como uma oportunidade para consolidar o país como líder global em soluções sustentáveis.
Quanto à modernização, a instituição aponta a conectividade rural como o pilar para a absorção de novas ferramentas, como inteligência artificial, automação e sensoriamento remoto. Enquanto o Poder Executivo é incentivado a focar no desenvolvimento sustentável e na competitividade, a tarefa do Legislativo é definida como essencial para garantir a previsibilidade orçamentária e a segurança jurídica necessárias aos investimentos de longo prazo no agronegócio.











