São Paulo (SP) – O mercado financeiro brasileiro encerrou a sexta-feira, 21, em um clima de alívio generalizado. O dólar comercial registrou queda de 1%, fechando o dia cotado a R$ 5,142, o nível mais baixo desde o dia 10 de agosto. Durante o período da tarde, especificamente às 15h30, a divisa chegou a oscilar na casa dos R$ 5,13. Com esse desempenho, a moeda estrangeira encerra a semana com uma desvalorização acumulada de 1,53%.
Este movimento de recuo foi ditado, em grande parte, pelo cenário externo. O dólar perdeu força globalmente, atingindo seu patamar mais baixo em três meses perante uma cesta de seis moedas fortes — o índice DXY marcou 98,856 pontos ao final do pregão. O otimismo internacional foi impulsionado pela perspectiva de maior liquidez com as operações de recompra de títulos de longo prazo conduzidas pelo Tesouro dos Estados Unidos, o que naturalmente reduziu a pressão sobre divisas de países emergentes, como o real e o peso chileno.
Na B3, o Ibovespa seguiu a trajetória positiva e fechou o dia com alta de 1,85%, alcançando os 171.031,73 pontos. Foi o terceiro pregão consecutivo de ganhos para o índice, que também recuperou terreno e atingiu seu maior nível desde 10 de agosto, acumulando uma valorização semanal de 2,45%. Apesar do alívio recente, a bolsa ainda carrega uma retração de 3,91% no saldo acumulado do mês. As ações do setor bancário foram cruciais para manter o suporte ao índice durante as negociações.
A atenção dos investidores permanece voltada ao fluxo de capital estrangeiro. Dados oficiais da B3 indicaram uma saída líquida de R$ 22 bilhões em recursos estrangeiros da bolsa brasileira até o dia 19 de agosto. A recente recuperação do Ibovespa serve como um respiro após a sequência de perdas acentuadas registradas no início do mês, enquanto o mercado reavalia as expectativas sobre o cenário eleitoral e o apetite por ativos de maior risco.
Enquanto o mercado financeiro comemorava o recuo do dólar, o setor de energia operava em sentido oposto. O petróleo fechou a sessão em alta, reagindo às tensões persistentes no Oriente Médio. O barril do tipo Brent avançou 0,65%, cotado a US$ 94,39, registrando uma valorização expressiva de 6,6% na semana. O WTI, referência do Texas, seguiu a tendência e fechou a US$ 87,06, com alta semanal de 5,6%.
A volatilidade no preço do barril reflete a paralisia nas negociações entre Estados Unidos e Irã e as incertezas críticas sobre o transporte de cargas em rotas vitais. O fluxo marítimo pelo Estreito de Ormuz permanece abaixo dos níveis pré-conflito, e o tráfego de petroleiros no Mar Vermelho enfrenta severas restrições. Esse cenário de oferta incerta continua a ser o principal gatilho para a apreensão dos operadores sobre os custos de transporte internacional.













