Salinas (MG) – O setor de cachaça no Brasil vive um movimento de descentralização e crescimento estrutural, fechando 2025 com 1.583 estabelecimentos legalmente registrados. Esse saldo representa um aumento de 272 unidades em relação ao ano anterior, configurando a maior variação positiva desde 2018. Quando observamos o recorte histórico dos últimos sete anos, o avanço chega a 61%.
Esses dados abrangem não apenas os fabricantes, mas toda a rede que compõe a cadeia: desde o processamento e padronização de aroma e paladar até o envase e o comércio atacadista. A concentração geográfica permanece acentuada no Sudeste, que abriga 961 estabelecimentos. Minas Gerais lidera o cenário nacional com 564 unidades, seguido por São Paulo, com 230. O Sul aparece como a segunda região com maior representatividade, somando 277 unidades — um volume impulsionado majoritariamente pelo Rio Grande do Sul.
Ao todo, a rede produtiva se espalha por 844 municípios brasileiros. Entre eles, Salinas, no norte mineiro, destaca-se como o maior polo, contabilizando 27 estabelecimentos. Na sequência figuram Alto Rio Doce, também em Minas, com 25 unidades, e a cearense Viçosa do Ceará, com 24. No âmbito do emprego, a indústria de fabricação da aguardente sustentou, em média, 6.232 postos de trabalho ao longo de 2025, o que equivale a 4,4% de toda a mão de obra do setor de bebidas.
Mesmo com a multiplicação de marcas e produtores, o volume de produção declarada apresentou um recuo de 15,77% em 2025, totalizando 234,48 milhões de litros. Em contrapartida, o mercado externo deu sinais de vitalidade. A bebida alcançou 76 países, com um volume exportado de quase 8 milhões de litros — uma alta de 19,4% sobre o ano anterior — e faturamento superior a 17 milhões. Enquanto o Paraguai lidera no quesito volume (1,34 milhão de litros), os Estados Unidos ocupam o topo da lista em valores pagos.
Apesar desses números, a avaliação de entidades como o Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac) é de que as exportações ainda ocupam um patamar aquém do potencial do setor frente ao mercado global de destilados.
Segurança e registro oficial
Com 8.379 produtos oficialmente registrados no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o setor enfrenta desafios constantes em relação à clandestinidade. O consumo de produtos sem registro representa um risco sanitário grave, evidenciado por episódios recentes de adulteração com metanol entre setembro e dezembro de 2025. O consumo desse tipo de substância pode provocar cegueira irreversível, insuficiência renal e morte.
Diante desse cenário, autoridades de saúde reforçam a necessidade de verificar o selo de registro no rótulo antes da compra. O Ministério da Saúde alerta ainda que não existe dose segura para o consumo de álcool e coloca à disposição do cidadão o suporte do Sistema Único de Saúde (SUS), por meio das Unidades Básicas de Saúde (UBS) e dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS AD) para casos de dependência.













