Brasília (DF) – Os interesses de grandes corporações econômicas estão agindo em duas frentes distintas para desacelerar avanços sociais no país, conforme apontou o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos. Durante entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), o chefe da pasta direcionou críticas contundentes tanto ao sistema financeiro, acusado de sabotar o programa federal Move Brasil, quanto à cúpula do Senado, onde a proposta de extinção da jornada de trabalho 6 por 1 segue paralisada.
O Move Brasil Aplicativos é uma iniciativa desenhada para facilitar o financiamento de veículos novos para taxistas e motoristas de aplicativos, contando com uma linha de R$ 30 bilhões operacionalizada pelo BNDES. Na prática, contudo, o dinheiro esbarra na burocracia dos bancos. De acordo com o ministro, as instituições privadas e públicas vêm impondo barreiras injustificadas que impedem os profissionais de baixa renda de acessar o crédito.
A barreira do crédito nos bancos
Boulos identificou três entraves crônicos na execução do programa. O principal deles é a rejeição em massa de cadastros de trabalhadores que estão com o nome limpo. Para negar o financiamento, as instituições financeiras se valem de termos técnicos como “rating”, “score” e “taxa de risco”. O ministro classifica o argumento como inaceitável, lembrando que a operação conta com o respaldo de um fundo garantidor do próprio governo federal, o que anula o risco de inadimplência para os bancos.
O segundo gargalo envolve a cobrança indevida de valores de entrada para liberar as linhas de crédito especiais. O ministro alertou que os profissionais não devem aceitar a exigência e orientou que procurem outras agências caso se deparem com o abuso. Por fim, há uma falha de integração tecnológica: a falta de conexão direta automatizada entre os sistemas das instituições parceiras e o BNDES impede a assinatura dos contratos mesmo após a aprovação cadastral inicial. O governo planeja convocar os bancos, sobretudo os privados, para cobrar soluções imediatas.
Paralisia política e pressão patronal
O outro alvo das críticas do ministro fica no ambiente político do Senado. Boulos criticou de forma incisiva a conduta do presidente da Casa, Davi Alcolumbre, acusando-o de engavetar a proposta que extingue a escala de trabalho 6 por 1. Na avaliação do ministro, o senador comete um erro grave e brinca com fogo ao travar um projeto que tem a aprovação de mais de 70% da população brasileira por conta de interesses corporativos menores.
A resistência parlamentar seria alimentada por uma forte articulação de grandes associações empresariais. Boulos classificou o discurso de que a redução da jornada causará inflação ou desemprego como terrorismo patronal. Ele ponderou que o fim da escala representa um grito de liberdade e dignidade para as famílias brasileiras e lembrou que estudos econômicos sólidos apontam impactos positivos no consumo de varejo, comércio e serviços, repetindo a dinâmica virtuosa já observada nas políticas de valorização real do salário mínimo.











