São Paulo (SP) – A Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) cobrou esclarecimentos oficiais sobre um incidente com material radioativo registrado no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), localizado na Cidade Universitária, em São Paulo, que resultou na exposição de dois técnicos.
O caso ocorreu no dia 29 de maio de 2026 e envolveu vestígios de tecnécio-99 identificados durante a manutenção de uma autoclave no Centro de Radiofarmácia. O episódio foi detalhado no Relatório de Ocorrência Interna (ROI) nº 04/2026. A Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), responsável pela gestão da unidade, informou que os dois profissionais expostos passaram por exames detalhados, que apontaram baixa atividade e descartaram contaminação interna. Segundo o órgão, o problema ficou confinado à área controlada.
Sindicato aponta falhas em protocolo
A versão oficial, contudo, é contestada pelos trabalhadores. Representantes do Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Federal no Estado de São Paulo (Sindsef-SP) e da Associação dos Servidores do Ipen (Assipen) exigem transparência e relatam que os procedimentos de descontaminação emergencial teriam ocorrido improvisadamente em locais inadequados, sem estrutura apropriada. As vestimentas dos funcionários envolvidos, incluindo prestadores de serviço terceirizados, precisaram ser retidas pela equipe de proteção radiológica para controle de danos.
Os funcionários também chamam a atenção para um cenário crônico de desgaste administrativo. Eles apontam que os exames médicos de rotina específicos para quem lida com radiação estão atrasados há mais de um ano. A categoria vincula a falha a um processo contínuo de asfixia orçamentária e redução de pessoal que compromete o funcionamento das instalações. Como exemplo, relembram o incêndio ocorrido na sala de controle do Reator IEA-R1 em março deste ano.
Embora o instituto ocupe uma área cedida dentro do campus paulistano da USP, a universidade ressaltou que a responsabilidade técnica e administrativa do local cabe inteiramente à CNEN, vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, e à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo. A ANSN segue analisando as justificativas apresentadas para definir se haverá novas sanções ou vistorias no complexo nuclear.












