Vila Velha (ES) – O podcast Crianças Sabidas, com a série Trilhinhas Amazônicas, garantiu o terceiro lugar na categoria de educação midiática do concurso Dom Phillips e Bruno Pereira de Jornalismo e Comunicação. A premiação, que honra o legado do jornalista e do indigenista, reconheceu o projeto por seu trabalho em aproximar temas complexos — como a defesa do meio ambiente e o respeito aos direitos das comunidades tradicionais — do público infantojuvenil.
Akemi Nitahara, responsável pelo roteiro, apresentação e edição da série, descreveu o reconhecimento como uma honra profunda. O projeto nasceu da adaptação de reportagens assinadas por Rafael Cardoso e Tânia Rego. Para a jornalista, transpor esse conteúdo denso para uma linguagem voltada às crianças foi uma estratégia necessária para fomentar a consciência sobre a preservação da natureza e a importância dos povos originários desde cedo.
Beatriz Arcoverde, gerente da Radioagência Nacional e editora da produção, vê a conquista como um selo de qualidade para a comunicação pública. A série traz em sua narrativa a voz dos herdeiros de Chico Mendes e detalha o papel da Amazônia como reguladora do clima global. A abordagem, feita com o auxílio dos jovens apresentadores Maria Eduarda Arcoverde, de 10 anos, e Caetano Farias, de 12 anos, foca no impacto da crise climática com clareza e sensibilidade.
A cerimônia de entrega dos troféus ocorreu nesta quinta-feira (11), no Palácio do Itamaraty, na capital federal. Enquanto a equipe do podcast celebrava o terceiro lugar, o evento também reservou espaço para o fotojornalismo de impacto.
A fotógrafa Tânia Rego, que contribuiu para a base do material premiado, recebeu uma menção honrosa por seu trabalho intitulado Áreas de Retomada Guarani em Mato Grosso do Sul enfrentam dificuldades e violência. Suas imagens, registradas na retomada Guapo’y Mirin, documentam a realidade de famílias que enfrentam massacres e pressões psicológicas constantes. Ao descrever a cobertura, Rego ressaltou a tensão vivida durante as investidas no campo, destacando que capturar a dor e a resiliência dessas comunidades é, acima de tudo, um ato de defesa do meio ambiente. Para ela, o reconhecimento é um passo importante para dar visibilidade a guerreiros que enfrentam ameaças diárias e permanecem em luta por seu território.











