Brasília (DF) – O STF recebeu, nesta terça-feira (17), uma manifestação formal da defesa de Jair Bolsonaro sobre a pistola Glock 9mm interceptada pela Polícia Militar durante uma abordagem em Taguatinga. O equipamento, encontrado com um sargento do Exército que integra a equipe de segurança do ex-presidente, está em situação legal, conforme sustentam os advogados. O esclarecimento foi uma exigência direta do ministro Alexandre de Moraes, responsável por supervisionar o caso.
O episódio ocorreu por volta das 23h30 da última segunda-feira (15), quando um Honda Civic foi parado em um bloqueio de rotina no Pistão Norte. Ao ser abordado, o condutor — identificado como servidor do Gabinete de Segurança Institucional — revelou que o armamento pertencia ao ex-mandatário. Além da pistola, os policiais localizaram um carregador sobressalente no veículo.
A versão apresentada ao tribunal indica que a arma não estava sendo utilizada, mas sim enviada para um reparo urgente. Segundo a defesa, Bolsonaro percebeu, ao manipular o ferrolho, que o mecanismo apresentava falhas de funcionamento. Diante disso, solicitou que o segundo-sargento Estácio Leite da Silva Filho levasse o item para manutenção. O militar, em depoimento na delegacia, confirmou que recebeu o equipamento na mesma data da blitz com a orientação de devolvê-lo após o conserto.
Questões processuais e saúde
Os advogados enfatizaram que a existência da arma é irrelevante para o cumprimento da prisão domiciliar de Bolsonaro, condenado a 27 anos de reclusão em processo relacionado a uma tentativa de golpe. Argumentam que, até o momento, não houve qualquer determinação judicial que obrigasse o ex-presidente a entregar seus registros de arma de fogo ou a desarmar-se.
Um detalhe peculiar surgiu na explicação sobre o estado de conservação do objeto. A defesa revelou que a arma já havia sido alvo de uma intervenção preventiva por parte da própria equipe de segurança. No ano passado, após o episódio em que Bolsonaro rompeu a tornozeleira eletrônica, a equipe retirou o percussor da pistola sem o conhecimento imediato dele.
Naquele momento, segundo os advogados, a medida foi tomada em razão dos efeitos colaterais de medicações psiquiátricas que o ex-presidente vinha utilizando. O receio era de que os fármacos, ao afetarem sua cognição, pudessem tornar a posse do equipamento um risco. A justificativa serve para reforçar a tese de que a arma não representava ameaça e estava, há meses, em condições de inoperância técnica.
O caso agora segue sob análise do ministro relator no Supremo, que deverá avaliar se as explicações sobre a logística de transporte e a situação administrativa do registro são suficientes para sanar as dúvidas levantadas pela abordagem policial.












