Serra (ES) – O advogado Fabiano Tadeu Lopes, que integra a defesa de Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, informou que voltará ao 2º Tribunal do Júri ainda esta semana. Ele sofreu um infarto há quatro dias e, mesmo com a recuperação, pretende retomar sua atuação no julgamento dos réus acusados pela morte de Henry Borel, ocorrida em março de 2021.
A situação de saúde foi apresentada pela defesa como motivo para novo adiamento do júri. O retorno de Fabiano Lopes foi confirmado nesta quarta-feira (27) por Rodrigo Faucz, advogado que também defende Dr. Jairinho. Antes da ida ao tribunal, o advogado assinou um termo de responsabilidade — descrito como uma espécie de “auto alta médica” — e planeja comparecer na quinta-feira (28), com acompanhamento médico.
Na segunda-feira (25), a informação sobre seu estado constava em comunicado feito à juíza Elizabeth Machado Louro, que preside o Tribunal do Júri. Na ocasião, foi registrado que Fabiano Lopes tinha 30% da capacidade cardiorespiratória.
Jairinho e a ex-companheira Monique Medeiros respondem pelo caso de Henry Borel, criança de 4 anos que morreu em março de 2021. A denúncia sustenta agressões atribuídas a Jairinho e omissão de responsabilidade por parte de Monique. Na época, Jairinho era vereador no Rio de Janeiro, cumprindo o quinto mandato.
O julgamento, nesta quarta-feira, entra no terceiro dia. A sessão retomou após um adiamento em 23 de março, quando a defesa deixou o júri, alegando falta de acesso às provas. No começo desta semana, houve nova movimentação: Dr. Jairinho pediu à juíza Elizabeth Machado Louro uma remarcação para análise do caso, argumentando que o advogado então hospitalizado comandava a equipe de defesa e estaria em melhores condições de representá-lo diante dos jurados.
Como parte desse pedido, Dr. Jairinho destituiu os outros advogados. A juíza entendeu o procedimento como medida protelatória, mas autorizaria o encaminhamento do deferimento porque o réu ficou sem defesa constituída. Ainda assim, ao vincular o adiamento à transferência de Jairinho para o presídio Bangu 1 — conhecido pela rigidez no tratamento dos custodiados —, ele recuou da intenção. Com a constituição novamente dos defensores, o julgamento foi iniciado.
O terceiro dia está marcado para começar às 11h desta quarta-feira. O horário antes previsto era 9h, mas a mudança ocorreu porque os depoimentos do dia anterior acabaram durando mais do que o estimado, estendendo-se até cerca de 2 horas da madrugada de quarta-feira.
Nesta terça-feira (26), foram ouvidos os delegados Edson Henrique Damasceno, então titular da delegacia policial que investigou a morte de Henry Borel, e Ana Carolina Medeiros. No depoimento, Damasceno afirmou que a versão apresentada pelos réus — de que a criança teria morrido após cair de uma cama — fazia parte de uma “farsa ensaiada”. Ele também relatou que mensagens recuperadas do celular da babá de Henry, Thayná de Oliveira Ferreira, teriam levado a polícia a identificar e confirmar que a mãe sabia das agressões.
No processo, Jairinho e Monique não têm mais a mesma equipe de defesa. Antes havia um único advogado, mas atualmente cada um responde com sua própria estrutura. Ao todo, foram arroladas 27 testemunhas entre acusação e defesa. Sete jurados decidirão o caso, e a expectativa inicial era de que o julgamento durasse cerca de cinco dias.
Dr. Jairinho é acusado de seis crimes: homicídio qualificado por meio cruel, com indicação de que a forma teria impossibilitado a defesa da vítima; três torturas praticadas contra a criança; fraude processual; coação no curso do processo, entre outras imputações. Monique Medeiros responde por sete crimes, incluindo homicídio por omissão qualificado e omissão.













