Maracay, Venezuela – O cenário na Venezuela é de extrema urgência. Após dois terremotos de grande magnitude sacudirem o país na noite de quarta-feira (24), as autoridades locais tentam localizar mais de 40 mil pessoas que continuam desaparecidas sob os escombros. Diante da catástrofe, uma resposta rápida partiu do Brasil: uma equipe de socorristas decola nesta sexta-feira (26) para atuar diretamente nas áreas mais afetadas.
A previsão é que o grupo desembarque na cidade venezuelana de Maracay ainda na noite desta sexta-feira. A bordo de uma aeronave militar KC-390, viajam 44 especialistas e uma carga pesada de 12 toneladas de equipamentos de salvamento. O voo, que partiu da Base Aérea de São Paulo, em Guarulhos, no início da tarde, realizou uma escala técnica para reabastecimento em Boa Vista, Roraima, antes de seguir para o espaço aéreo vizinho.
Logística aérea contra o tempo
Em situações de colapso de infraestrutura, o transporte terrestre costuma ser inviável ou lento demais. O comandante da aeronave, major Anderson Dias, explica que o modal aéreo surge justamente para superar esses gargalos logísticos em áreas de crise. O avião utilizado na operação tem um histórico de atuação em cenários complexos, desde a repatriação de brasileiros na guerra da Ucrânia até o transporte de oxigênio durante a pandemia de covid-19 e o combate a incêndios florestais.
Entre os integrantes da força-tarefa, há um grupo de 14 profissionais do estado de São Paulo altamente qualificados. A equipe paulista reúne 11 bombeiros, dois médicos do Comando de Aviação da Polícia Militar e um técnico da Defesa Civil. Ao lado deles, dois cães farejadores treinados para busca e salvamento completam o time que atuará na linha de frente.
Autossuficiência para não sobrecarregar o país vizinho
A estratégia brasileira foi desenhada para que a equipe não se torne um peso para os sistemas locais de saúde e abastecimento, que já operam no limite. Segundo a capitã Karoline, do Corpo de Bombeiros de São Paulo, que participou da coordenação dos trabalhos, o grupo viaja com recursos próprios de alimentação, água e hospedagem para garantir autonomia total por pelo menos 15 dias.
Muitos dos socorristas escalados para a viagem acumulam experiência em grandes tragédias internacionais e nacionais recentes, como os resgates após os terremotos na Turquia e as enchentes históricas que assolaram o Rio Grande do Sul. A velocidade do deslocamento é o fator crucial nesta fase da operação, já que as chances de encontrar sobreviventes caem drasticamente com o passar das horas.






